QUANDO LI A COZINHA DAS ESCRITORAS

Postado dia 03 de julho de 2015, em Pitadas Gastronômicas

           Fico imaginando se pode existir um assunto mais interessante do que comida e escrita, foi assim que fui seduzida por esse livro best-seller da jornalista italiana Stefania Barzini. Conheci o livro através de receitas práticas de um canal de gastronomia no Youtube e até fiz o clafouti preferido de Simone de Beauvoir. O livro reúne pequenas biografias gastronômicas de escritoras famosas, mulheres que compreendiam os sabores, os temperos, os preparos no fogão como algo além do que simplesmente receitas.

            Virginia Woolf era anoréxica e esquizofrênica, amava torta de ameixa, chocolate, maça e pão. Quando estava bem, era animada e extrovertida, considerava a comida um momento de celebração e deleite. Dias antes de se suicidar disse que bacalhau e linguiças eram o melhor preparo para um jantar. Gertrude Stein amava comer e dizia que não via problema em se entupir de comida desde criança. Seu casamento homossexual com Alice B. Toklas, foi todo permeado pela gula. O casal oferecia jantares aos sábados em Paris, o “robalo Picasso” se tornou famoso, coberto por maionese e molho de tomate e salpicado com ervas e trufas.

            Simone de Beauvoir preferia comer em restaurantes do que cozinhar, que considerava uma atividade opressora burguesa. Na verdade ela gostava de comer e no começo do seu relacionamento com Sartre levava pães e queijos para o filósofo. Agatha Christie a dama dos best-sellers policias era também a rainha do creme de leite, tinha sempre uma xícara ao lado da sua máquina de escrever. Pamela Traves a autora de Mary Poppins” tinha sempre a despensa cheia, adorava fazer bolos e cozidos, comprava regularmente chocolate e bebia muito chá e uísque.

            O livro é de uma graça imensurável de ser lido, dá vontade de ir a cozinha e testar as receitas. É uma cozinha feminina, afetiva, muito mais do que técnica, cerebral, é cozinha de verdade. Tive a sensação de que uma boa história é o melhor casamento para uma boa comida, a noção de ritual,reunindo a ideia de celebração, de vida saudável e plena que uma refeição pode oferecer.

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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