A INCRÍVEL HISTÓRIA DA FESTA DE BABETE

Postado dia 25 de março de 2015, em Pitadas Gastronômicas

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           A Festa de Babete (1950) da dinamarquesa Karen Blixen é uma incrível história que não sei se fiquei mais impressionada pela transgressão da ordem vigente em fins do século XIX ou a transformação prazeirosa que a comida pode trazer na vida das pessoas. A história se passa no fim do século XIX num vilarejo na Dinamarca. Babete é uma francesa que foge da guerra em seu país e encontra a casa de rigorosas filhas de pastor luterano. Cozinhando para as irmãs por 14 anos ela vive limitada a uma rotina que não exigia transgressões.

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            Após esses 14 anos Babete é informada que ganhara um prêmio na loteria e ela resolve preparar um jantar em comemoração ao aniversário do pastor. O interessante é o temor que a notícia provoca nas pessoas do vilarejo, as tensões contestando qual o grau de erotização e prazer que uma comida tão especial seria capaz de provocar. Confirmando assim, que a alimentação não pertence apenas a nutrição, mas também ao imaginário, ao simbólico.

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            Durante o jantar diversos sentimentos, regras e condutas são expostas, abrindo uma fresta no comportamento da fechada sociedade. O jantar é preparado com maestria e os pratos apresentados com considerável esplendor. Ao banquete associam-se os vinhos e as frutas, a leitura sugere que o prazer não está apenas na comida, mas também no olhar como ela apresentada e servida.

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            O que me impressionou particularmente foi a sedução usada pela comida, o carinho empregado no seu preparo, o desejo de viver que a comida provoca na vida daqueles que ultrapassam a mera barreira da nutrição. É o texto do prazer. Com A Festa de Babete reafirmo o meu entendimento de que comida pode também ser prazer libidinoso. Leio o texto e fico imaginando na codorna recheada com foie gras com trufas deitada em massa folhada, nada mais impressionante aos olhos, ao paladar e aos prazeres subjetivos proporcionados pela mesa.

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            O banquete oferecido por Babete é mágico e ela se mostra como fiel representante do mundo da cozinha, uma artista que manipula os alimentos para que fiquem muito próximo do natural, uma parente próxima das bruxas e dos magos que com seu alimento consegue mudar a vida das pessoas. A sua feitiçaria é provocar o prazer amaciando os sentimentos rígidos dos moradores daquela vila, as mascaras caindo e os rostos antes endurecidos, ficando bonitos pelos sorrisos que o banquete provoca. Percebi que talvez o céu não apareça de imediato quando morremos, mas em pequenos momentos como esse em que através do paladar podemos nos tornar crianças novamente.

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AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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