No Gramofone

SOBRE BOB DYLAN

 

 

            Antes de escrever esse post sobre o cantor me perguntei o que dizer de Bob Dylan? Queria fugir dos clichês mas pensando, ouvindo suas músicas, analisando sua história e lendo seus textos é difícil não cair na vala comum. Não tem como negar que Bob Dylan é um dos maiores nomes da música popular do século XX, um dos definidores de uma era, o rock dos anos 1960 em diante, é um dos principais artistas americanos de sua geração. Trabalhando obstinamente sozinho e usando uma palheta de recurso vastíssima, do folk ao blue, ele criou um conjunto de obra que estilo e tema cria os contornos e as perspectivas da canção popular da metade do século passado.
 
 
            Em suas crônicas ele se mostra como um homem sofrido, atormentado por demônios praticamente invencíveis em conflito com um EU público que nunca consegue definir ou controlar e um EU privado que jamais revela, e sendo assim, jamais saberemos se é capaz de se compreender inteiramente. Ele nunca quis ser o porta voz jovem da Juventude Rebelde da América. Seu jeito atualmente chega a ser esquisito, acredita que subir a um palco por dinheiro beira a prostituição. Nos anos 60 foi uma das maiores sensações musicais do momento, era o primeiro Dylan e para mim o melhor, aquele das canções de protesto, o garoto operoso e brilhante sobre o guarda chuva  do cancioneiro folk americano. Ele é um artista popular, mas não um artista pop, nunca se misturou e exerceu influencia decisiva sobre as músicas dos Beatles.
 
 
            Na verdade Dylan é um artista moderno, conceito que se define entre controlar os impulsos, entre manter a coerência e buscar a originalidade. Antes dele as pessoas nunca tinham ouvido falar em originalidade, pode-se encontrar o fio condutor em sua própria condução que apresenta coerência sempre. Acredito que Bob Dylan tem origem nos poetas que se apresentavam sozinhos, nas ruas com uma temática quase sempre popular irreverentes e com tiradas enigmáticas, lidas para alguém poderoso como um bispo, um senhor feudal ou um rico comerciante.
 
 
            Acho que o que mais gosto nele é que desde o começo desconfiou das amarras da fama e resolveu fugir delas. Lutou sempre para não sucumbir aos ditames dos fãs e o monstro devorador da indústria cultural. Considero Dylan genial, trouxe a música rural americana para o primeiro plano, seja como for ele continua produzindo músicas poderosas, já que o artísta só vira peça de museu quando começa a se citar constantemente. Ele teve o condão de fundar uma tradição e continuar contemporâneo, poeta profícuo ou delirante, ele está vencendo a fugacidade da cultura pop.
 
 
            Para concluir fico com os seus versos mais queridos, pelo menos para mim: I Like a Rooling Stone (1966): e que tal está sozinha sem casa e sem direção. Que é baseada num conto do próprio Dylan e não tem nada a ver com a famosa banda, embora tenha sido regravada por ela.  Em Blowin’in the Wind (1963): a resposta meu amigo, está soprando com o vento. Era o somatório dos anseios da  geração dos anos 1960, no fim da idade. Em Lay Lady Lay (1969): Deite-se senhora cama de metal na minha grande.É simples e irreverente ao cânon country, e melhor exemplifica Dylan em busca da modernidade. 

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