No Gramofone

SINATRA FAZ 100 ANOS UMA PAIXÃO PARA VIDA TODA

   Frank Sinatra (1915-1998) completaria hoje cem anos. Por questões de idade faço parte da geração que começou a ouvi-lo tardiamente, comecei nas aulas de inglês, porque sua voz era tão límpida, sua dicção tão perfeita, seu timbre tão melodioso, que depois disso escuto Sinatra quase todos os dias, como se fosse um cantor da minha geração, como se eu tivesse ido ao cinema ver os seus filmes ou assistido os seus shows.

   Gosto de suas músicas desde o início da carreira ainda como “croner” da orquestra de Tommy Dorsey. Nunca mais deixei de ouvir I Get a Kick Out of You, I’ve Got You Under My Skin, Bad, Bad Leroy Brown, Angel Skin, Moon River, You Are the Sunshine, My Kind of Town, The House I Live In, e as indefectíveis My Way e New York New York. Foi uma educação sentimental cultivada nos últimos quinze anos e uma paixão que nunca mais arrefeceu.

   A voz é única em clareza de fraseado, fôlego e ritmo de locução. Sua música é imortal, jamais tendo se perdido no mundo virtual. Sua imagem era sempre impecável, trajando paletó e gravata e chapéu quando era moda, parecia sempre recém saído do banho, barba feita, Jack Daniel’s a mão. Pronto para encantar e levar alegria típica dos grandes músicos a quem se permitisse ouvir. Ele era também um bom ator e participou de mais de 60 filmes.

    Sinatra hoje é acessível a um toque do seu celular. Sua vasta discografia é mais acessível do que nunca seu filmes também e as últimas biografias sobre sua vida. Mas se você mais do que celebrar os 100 anos da “Grande Voz” quer  viver bem,  ouça Songs for Swingin,  sozinho ou com sua companhia preferida, coroado por uma taça de vinho que  terá uma festa sem sair de casa. Dizem que “Sinatra com resfriado é Picasso sem tinta, Ferrari sem combustível”. Privar-se disso é renunciar ao bem viver.

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