ELIS, PARA SEMPRE ELIS

Postado dia 20 de março de 2014, em No Gramofone

Se viva fosse essa seria a semana de aniversário de Elis Regina conhecida cantora da Música Popular Brasileira. Embora hoje não escute tanto Elis, quando criança convivia com sua música que era ouvida em minha casa pelos parentes mais velhos. Quando estava na faculdade li Noites Tropicais do produtor musical Nelson Motta e conheci um pouco mais sobre sua trajetória e sua vida. É inegável sua voz dramática e o uso de diversos recursos vocais para acentuar essa característica.


            Sua interpretação é tão marcante que chega a interferir nas músicas e como se seu gosto, estilo e imagem pública pudessem evidenciar os elementos inscritos em uma canção. Sua voz é sempre cúmplice suas primeiras interpretações me lembram as antigas cantoras de rádio. Ela cantava sorrindo e as vezes era irônica, podia cantar também malandramente, improvisava e as vezes no meio de uma música soltava uma gargalhada. Acho que Elis é muito maior do que qualquer rótulo e sempre preferiu a complexidade da fluidez seja em sua identidade artística, quanto na forma como pensou o Brasil, a cultura brasileira, o cotidiano, a indústria cultural ou mesmo a política. Embora suas apresentações tenham um que de um espírito revisionista.


            Sua figura é de alguém que sempre primou pelo aperfeiçoamento, a versatilidade, o domínio técnico combinado com a espontaneidade e a embriaguez equilibrista sendo uma referência para outras cantoras suas contemporâneas ou de gerações posteriores. Elis parece ter criado uma gramática do canto, onde várias intérpretes, não só brasileiras fariam seus estudos. Nesse processo, atravessaria fronteiras temporais, como alguém que deve ser lembrado a partir da excelência alcançada e largamente aclamada pela crítica.


Como essa lembrança vem de uma necessidade do presente, não podemos considerá-la apenas como um rastro do passado, mas sim como algo que, a partir das práticas deste presente, atualiza-se, ganhando novo sopro de vida com as diversas reedições de sua obra chegando até a minha geração  e provando a longevidade de seus discos. O que fazem dela uma Elis, para sempre Elis.

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AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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