“CHICO BUARQUE UM ARTISTA BRASILEIRO”, mas esse Chico é diferente

Postado dia 06 de fevereiro de 2016, em No Gramofone

          O documentário de Miguel Faria Júnior que estreou nos cinemas no fim do ano passado “Chico Buarque um artista brasileiro” se mostrava tão promissor quanto o que o cineasta fez sobre Vinicius em 2005 e como eu imaginava atende plenamente as expectativas. O filme é bem conduzido e mostra o Chico de parentes e amigos por traz do artista. Chico Buarque é uma pessoa simpática, que ri o tempo todo com muita vontade de si próprio e dos acontecimentos de sua vida, falando de forma leve sobre sua intimidade “depois que me separei de Marieta, achava que ia virar a esquina e casar de novo. Agora, vinte anos depois fica difícil me imaginar casado. Não tenho medo da solidão”.

         Chico diz que não é nada tímido e seu medo de ir aos palcos se deu pelas dificuldades que viveu fora do país na época da Ditadura Militar, ele conta das dificuldades financeiras e como foi difícil virar músico profissional e conta de forma bem humorada um show que fez para 15 pessoas convidadas de uma duquesa italiana. O filme é reconfortante e serve de alento para quem curte o cantor, além de jogar luzes na representação do seu papel na cultura brasileira.

        O formato é de entrevistas com parceiros e amigos, articulado com imagens de arquivos e cantores interpretando suas canções mais expressivas. O olhar sobre o passado é respeitoso, mas não saudosista, os anos dourados da Bossa Nova, do cinema novo e da efervescência politico/cultural dos anos 1960/70 é muito bem representado. Chico se mostra crítico e diz que o Brasil de hoje é muito melhor, já que existe espaço para todas as manifestações culturais e não apenas uma pequena parcela como a Bossa Nova que ele diz ser uma pérola. “A música que toca hoje pode ser brega, mas é a cara do Brasil”.

         Faria Júnior conseguiu que Chico falasse dele mesmo, e mostra uma imagem de sua mãe Maria Amélia (1910-2010) constrangida, subindo ao palco com o sucesso de “A Banda”, Chico diz que ela não gostava de vê-lo cantor, nem da exposição e notoriedade que tinha ganho. Ele fala do livro “O irmão Alemão” que foi inspirado na historia real de sua família em que seu pai Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982) teve um filho nos anos 1930 na Alemanha quando morou lá antes do casamento. Chico foi a Berlim descobrir mais sobre o irmão e desvendar um assunto que era tabu em sua família.

         Ele diz que não pensa muito no futuro e não se vê no momento como um aposentado, ou alguém próximo disso, vai continuar produzindo, mas no seu ritmo. Ele mostra que está tentando se adaptar as novidades trazidas pelos netos, como rocks dos anos 70 que não ouviu na época. Chico mostra que a literatura foi o seu momento de conviver mais próximo com os seus demônios e sua manifesta vaidade, mas que essa não é essencialmente sua turma, pois ele tem orgulho de ser brasileiro e isso se deve em grande parte ao papel que a música ocupa em sua vida. Definitivamente Chico é um artista brasileiro, mas bem diferente do clichê que se construiu em torno de seu nome.

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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