No Gramofone

CESARIA ÉVORA A DOCE VOZ DE CABO VERDE

 Cesaria Évora (1941-2011) é a mais doce voz da minha play list, maior estrela de um gênero musical chamado morna, vindo de Cabo Verde, minúscula ilha da África Subsaariana, intenso como o fado português, verdadeiro como o blues americano, porém dotado de um suingue percussivo típico da frenética música cubana. Chamada de “diva dos pés descalços”, a cantora só alcançou reconhecimento internacional aos 47 anos, depois de décadas de ostracismo e dificuldades pessoais como os dez anos que lutou contra o alcoolismo.

      Sua trajetória foi memorável, ovacionada em shows no Carnegie Hall (Nova York), ganhou um Grammy e medalhas de honra do então do então presidente francês Nicolas Sarkozy. A música Sodade, a sua mais famosa, cantada num dialeto criollo, que mistura francês, português e dialetos africanos, fala de sentimentos profundos e traz uma contagiante e doce melancolia que só as grandes cantoras das melhores músicas são capazes de traduzir, mesmo que não se compreenda o seu dialeto a sua música fala por si.

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