No Gramofone

AS CANÇÕES DE BOB DYLAN

 Sempre que alguém vai a minha casa eu falo de música e mostro que para me alegrar escuto Blowin’in in the Wind de Bob Dylan. A voz de Dylan é uma fala vertical, de pé. Um antigo arranha céu encravado em plantações de milho. Sua voz embora muito americana nunca pertenceu somente a América, parece vim de todo lugar como um motor em marcha. Da sua voz escuto muitas outras vozes: o country, a folk music, o blues, o rock roll, o pop. A voz de Bob Dylan também ecoa a voz de protesto, a voz de Martin Luther King e de um milhão de anônimos. A voz  negra dos negros, a voz de judeus e palestinos.

BOB DYLAN

            A voz de Dylan é, antes de mais nada, uma fala que, estranhamente, parece em sua economia restritiva e monocórdia. É uma fala extensa, hermética, de imagens tortuosas, em que tudo parece gastar-se mais do que o desejável numa América mundializadas, moralista, severa, seja cristã ou judaica. Suas canções são narrativas, imagens, restos, metáforas, imagens, cortes, montagens, entre a crônica e o épico. Sua voz soa sem tempo, é parente da solidão urbana, arrebatante empreendida por sua ironia melancólica com a contemporaneidade.

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