Natureza e Sociedade

TOUROS ENTRE A FÉ E O ABANDONO

    A BR 101 liga a Cidade de Touros a Natal capital do Rio Grande do Norte por distantes 85 quilômetros, conhecida como esquina do Brasil, a pequena Cidade de pouco mais de 31 mil habitantes, tem mais de 20 templos e Igrejas de várias religiões e denominações. Igual em quase tudo as carências e a pobreza das pequenas cidades do país, Touros tem a peculiaridade de ser banhada por belas praias, mas até os peixes conhecem as histórias dos homens que buscam milagres no atacado e no varejo.

    Há igrejas em prédios próprios, outras com faixas no lugar de placas. O lugar é perdido numa mistura de letreiros. Seitas competem pelas almas em poucos metros de distância. Muitos pedem por graças que a ausência de direitos se nega a conceder. O saneamento é escasso, o prefeito mora na capital e despacha de lá mesmo com seus auxiliares, a presença do poder público se resume a coleta de lixo irregular, a alguma viatura policial que faz a ronda ou ao tratamento imediato e paliativo no pequeno hospital local.

    A cidade tem três padarias no centro e a sentença de Jesus sobre a insuficiência do pão nunca fez tanto sentido. E assim, de miséria em miséria, de dor em dor, de desgraça após desgraça, de desilusão em desilusão, restou a fé aos moradores. Os templos brotam e oferecem a salvação. Na falta de tudo ao longo do tempo só mesmo um Deus desejado e esperado pode oferecer paz. Basta um olhar sobre a cidade para ver que faltam educação, saúde, emprego e sobretudo, dignidade. Resta a esperança do povo que pede por milagre que não são providos pelos poderes públicos. Entre buracos nas ruas e desorganização do espaço público, o povo ora e muitos lucram com isso, amém!

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