Natureza e Sociedade

O TENETISMO NUMA NARRATIVA ELETRIZANTE

 

 

    Tenentes (2016) é um livro do jornalista Pedro Dória que se valeu de um acontecimento meio obscuro na história do Brasil (O Tenentismo) para escrever um texto eletrizante que pode ser lido como uma aventura. São personagens que durante muito tempo fizeram parte do cenário político brasileiro como: Luís Carlos Prestes, Juarez Távora entre outros. O Tenentismo foi um movimento militar/político com um claro viés de guerra civil. Eu não tinha conhecimento do bombardeio da Cidade de São Paulo, que deixou uma escala de mais de 5 mil feridos e 500 mortos, nem da dimensão do acontecido como um todo que beirou uma guerra civil.

    A imagem dos tenentes saindo do Forte de Copacabana em direção ao palácio do Catete foi o que passou de mais forte para a história. A famosa marcha é descrita de forma cinematográfica e lembra um roteiro de Tarantino. O movimento orquestrado por esses jovens foi tão importante que Getúlio Vargas precisou do apoio dos tenentes quando ocupou o poder em 1930. O livro é escrito trazendo documentos importantes da época como o posicionamento dos jornais e escritos públicos.

    Para mim a parte mais interessante foi o entendimento da profundidade política do movimento tenentista, que alcançou notável influência no golpe militar de 1964, mostrando que o “golpe não nasceu do governo Jango, não nasceu da renúncia de Jânio, do suicídio de Vargas. Nasceu quando, em 7 de julho de 1922, quatro tenentes, alguns soldados e um civil desceram a Avenida Atlântica para um suicídio ritual”. Costa e Silva e Castelo Branco os dois primeiros presidentes da Ditadura, eram jovens tenentes em 1922. Prestes terminou a vida dizendo que se tratou de “ uma aventura de jovens”. No fim da Ditadura Militar, os militares perderam a credibilidade. Na maturidade os tenentes se dispersaram e cada um seguiu um direcionamento ideológico.

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