Natureza e Sociedade

O DÍFICIL PESO DA GORDURA: A DOR DA FEIÚRA

 Se levarmos em consideração o grau de exibição de pessoas se exercitando em academias ou mostrando o look do dia, nas redes sociais, fica claro que a beleza é uma das maiores necessidades da atualidade, por consequência, a feiura é uma das maiores formas de exclusão dos nossos tempos, feio seria não ser jovem, magro e parecer saudável. A gordura tem sido considerada como a principal insígnia da feiura, principalmente entre as mulheres.

      A obesidade assume a forma mais representativa de alijamento social. A feiura, frequentemente associada à gordura, sofre uma das maiores formas de discriminação nas sociedades que cultuam o corpo. Para eliminá-la, mitigá-la ou disfarçá-la, todos os esforços e sacrifícios serão dispendidos. Nada mais cruel do que lutar com um inimigo implacável e inexorável. Contra a ação do tempo as mulheres lutam, tentando manter-se sempre jovens e belas. Frenéticas e enlouquecidas, consumindo compulsivamente toda sorte de produtos que prometam retardar o seu envelhecimento, diminuir suas medidas e manter sua beleza, essas mulheres lutam contra si, perdendo-se no espelho à procura de si mesmas. Se antes as roupas as aprisionava, agora se aprisionam no corpo – na justeza das próprias medidas.

 

      Contudo, mais uma vez é necessário cautela. Não há como pensar que todas as mulheres vivem essas transformações de forma passiva e acrítica. Neste sentido, nunca é demais relembrar que o discurso do corpo fala das relações internas à sociedade e também nele vai se expressar a busca da felicidade plena. Como todo culto, como toda moda, o impacto da moda do culto ao corpo sobre a sociedade, só pode ser detectado a partir da compreensão da maneira como seus ditames são interpretados pelos indivíduos. A experiência do corpo é sempre modificada pela experiência da Cultura, sendo assim, vivemos em tempos que as medidas corporais são indicativos de inclusão social e parâmetros para níveis de felicidade.

Comentários