Natureza e Sociedade

O COLAPSO DA ÉTICA: NÓS E ELES

 

 

     Esses dias voltei a dá aulas, em decorrência da longa convalescência nunca foi tão bom estar nesse lugar. Recomeço com o desafio de falar de ética em tempos em que o conceito tradicional encontra-se esfacelado, com uma grave crise política e institucional, já li de tudo sobre o assunto, dos mais variados posicionamentos e dizem que é preciso unificar o Brasil, mas em torno de quem? Não se vislumbra a posição de consenso tão cedo, nem mesmo a ética de Hobbes nos salva (evitar o conflito e a violência entre as partes).

     Alguns pensadores vinculam o sucesso de um país a conduta ética dos seus membros, será esse o nosso limite? Qual a diferença entre o ladrão de ponta que desvia dinheiro público? Daquele da base que sonega impostos e estaciona em vaga especial? Não acredito numa sociedade utópica ideal, nem de direita nem de esquerda, é preciso considerar que as pessoas operam por motivações diversas e múltiplos pensamentos ideológicos (individualismo, compaixão, egoísmo, lealdade, autoridade).

     Mas uma coisa é certa, a cooperação coletiva em busca de servir a bons fins parece ser a baliza a partir da qual se decide qual das intuições morais deve permanecer. Mesmo os que buscam um acordo pragmático com o mundo social, devem decidir em qual filosofia moral devem permanecer. Na aula discutimos que ser ético é viabilizar o espaço que vivo e vê o mundo além dos meus próprios interesses. Estamos num grande desafio nacional e temos a chance de mudar tudo e está na hora de fazer a mudança não apenas institucional, mas de base, ou seja, operada por cada um de nós.

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