Natureza e Sociedade

MUITO ALÉM DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

           No longínquo ano de 2005 eu estudava no curso de Mestrado em Desenvolvimento e Meio Ambiente e um dos conceitos fundamentais do curso era Desenvolvimento Sustentável que em grosso modo seria um desenvolvimento que atende as necessidade do presente sem as gerações futuras comprometerem suas próprias necessidades. Esse conceito se popularizou tanto que nos anos em que dei aula era o assunto mais discutido, sem contudo, se analisar qual a eficácia prática dessa máxima nos mais diversos extratos sociais da vida pública e privada.

            Passados dez anos de estudos na área e militância na área educacional, porque ensinar educação ambiental tem antes de tudo uma forte conotação política. Entendo que precisamos levar o planeta a sério, com metas de alcance que cheguem a países ricos e pobres. Os indicadores que em sua maioria são vagos precisam ser mais precisos. Os temas ambientais precisam ser integrado com as discussões do clima, ao consumo, passando sobre a problemática do lixo.

            É preciso incorporar o conceito de que Desenvolvimento Sustentável se começa em casa, na nossa rua, bairro, país. Se faz cada vez mais necessário caminhar degrau, por degrau, melhorar os padrões de energia, as políticas e tecnologias potencialmente poluidoras, assim como, o estilo de vida gerado pelo consumo. Desde o lançamento do relatório “Nosso Futuro Comum” em 1987 que estabelece a noção de Desenvolvimento Sustentável e da Conferência do Rio em 1992, um caminho foi apontado para o mundo, mas há muito a ser feito e como diria James Lovelock talvez o planeta não possa esperar.

            Tenho essa noção de desenvolvimento com fins ambientais muito forte dentro de mim, acho que foi o que realmente ficou do curso de mestrado, a transformação pessoal através do ideal político. Nos próximos 50 anos ainda necessitaremos de petróleo e gás, antes que seja possível o desenvolvimento de energias renováveis que atenda toda a população, deverá haver um período de transição. Necessitamos romper a barreira do marketing verde, o Estado, as empresas, as pessoas precisam compreender o planeta como nossa casa, nosso espaço de convívio e riquezas coletivas. Precisamos de políticas públicas que superem a questão de desenvolvimento ambiental como utopia, o mundo necessita de mudanças comportamentais, temos que finalmente compreender que o meio ambiente é uma cadeia interligada e que estamos juntos no mesmo barco já que uma ação de qualquer natureza em uma parte do planeta repercute nas demais.

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