MINHA COZINHA DE ORIGEM

Postado dia 03 de maio de 2014, em Natureza e Sociedade

Carne de Sol com queijo coalho.

            Esses dias fiz uma viagem gastronômica as minhas raízes nordestinas, sertanejas, maternais. Em especial ao carneiro guisado à moda da casa como se fazia na minha infância, a galinha que se criava no local e o cuscuz temperado com bastante coentro. Pensar esses alimentos me remete a geografia do lugar, clima, vegetação, relevo. Os costumes alimentares do meu povo demonstra os importantes fatos históricos que ficaram impregnados nas suas memórias e nas suas mesas de resistência aos tempos de escassez.

Buxada de carneiro. 


            Acho que a cozinha que sou originária é uma constante reinvenção dos significados culturais alimentares. Guardo hábitos na memória, ingredientes da terra, forma de elaboração dos pratos, condimentos que lhe dão sabor. Tenho impregnado em minhas imagens mãos femininas que se responsabilizavam pelo preparo dos alimentos.

cuscuz sertanejo. 


            A cozinha é para mim a exposição de todo um passado, das origens, porque ela comunica, identifica é memória. Gilberto Freyre entendia que o ato de comer, é um ato global porque se come com o corpo inteiro. Inicialmente come-se com os olhos, come-se com o olfato; come-se com o tato, come-se finalmente com a boca, com o prazer de um sentimento tão aguçado que já é sentimento. Simbolicamente, comendo-se a cultura, comendo-se a história, a civilização e, de certa maneira, come-se também o homem, uma metáfora antropofágica, pois come-se os valores e os significados plenos do que é oferecido em alimento e diria ainda, come-se a si próprio, como em contato quase litúrgico e profundo da intimidade do eu individual com o seu coletivo, a própria cultura.

Galinha Caipira. 

            A busca de rastros de minha identidade gastronômica me leva a uma cozinha regional, onde não se evidencia um prato específico como artífice do seu modo de ser, mas, deixa evidente o emprego de ingredientes básicos utilizados na sua preparação, que lhe dão o perfume e o sabor característicos. Para mim é um cozinha de resistência onde se transformava escassez em fartura.

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

Postado dia 03 de maio de 2014, em Natureza e Sociedade

EMANUEL MACRON NOS BASTIDORES DA VITÓRIA

Vi, mas uma excelente produção da Netflix, Macron nos bastidores da Vitória (2017) que segue a trajet[...]

LEIA MAIS
Postado dia 03 de maio de 2014, em Natureza e Sociedade

O TENETISMO NUMA NARRATIVA ELETRIZANTE

 

    Tenentes (2016) é um livro do jornalista Pedro Dória que se valeu de um acontecimento meio obscuro na história do Brasil (O Tenentismo) para escrever um texto e[...]

LEIA MAIS
Postado dia 03 de maio de 2014, em Natureza e Sociedade

VIVEMOS NUM MUNDO LÍQUIDO

No início desse ano morreu Zigmund Bauman, filósofo polonês que definiu o nosso mundo contemporâneo como sendo “líquido”, mas o que formaria esse conceito e esses n[...]

LEIA MAIS
Postado dia 03 de maio de 2014, em Natureza e Sociedade

AFINAL DE CONTAS O QUE É FEMINISMO?

 

    A história das mulheres é uma história de esquecimentos, já que o mundo sempre foi explicado pelos homens. O feminismo nos [...]

LEIA MAIS