Natureza e Sociedade

E O CAPITALISMO? CONTINUA BEM!

Quando eu estava na faculdade passei todo o meu período estudando porque o capitalismo era como era, o pensamento de Marx, Durkheim, e outros teóricos do século XIX que procuravam compreender quais os motivos da exclusão social. Com o tempo e os rudimentos que aprendi de economia percebo que não dá para comprar um mercado amplamente previsível como o cientificismo do mundo natural. No mundo social os estímulos são respondidos com expectativas, ideologias, reclamações, com aprovação ou reprovação do Estado legitimador. Desde que deixou a África há 100 mil anos, os homens procuram uma organização social e econômica que: liberte de toda restrição sua capacidade criativa; que lhes dê relativa igualdade de oportunidade (com menos restrições de nascimento); que a transmissão das riquezas que se tenha conseguido pela sorte ou pelo mérito, seja mitigada.

            E o que seria essa Justiça Social que todos falam? Igualdade no ponto de partida, acesso a saúde e educação financiados através dos impostos que todos pagam. Um mecanismo de solidariedade que estimule a inclusão dos menos favorecidos, e os capacite para conquistar suas próprias atividades, e assim completar o ciclo da chamada cidadania. Um pouco de reflexão nos revela que a sociedade para melhorar a vida de um homem, tem pelo menos que usar a força de dois deles. Os homens não inventaram o mercado, na busca por mais produtividade do trabalho, inventaram a propriedade privada. Os que controlam o capital e os que alugam sua força é o que se chama de capitalismo, que não é uma coisa, mas um processo histórico.

            O capitalismo é um processo adaptativo, persiste com delicados jogos entre o mercado e a urna. Se propõem a ser o único a conciliar a liberdade, a igualdade e a eficiência produtiva, implícita na sociedade civilizada. Mas se nega a ver suas feridas e todo processo de exclusão que provoca, suscitando o raso debate da vã meritocracia, vendendo a ideia de que a origem da loteria do berço não conta para a vida adulta, principalmente num país personalista como o Brasil. O resto é felicidade efêmera prometida pela fantasia capitalista de inclusão e oportunidades para todos, mas o capitalismo prova através da história que vai bem, muito bem, vendendo oportunidades, mas também muitas ilusões.

Comentários