Natureza e Sociedade

DIÁRIOS ÍNDIOS DE DARCY RIBEIRO: UM LIVRO PARA SER RELIDO

 

     Diário Índios de Darcy Ribeiro (1922-1997) é um dos meus livros preferidos, daqueles que de vez em quanto a gente abre uma página para dá uma olhadinha. O leitor não precisa se assustar com as 600 páginas de extensão, são por certo mais fáceis de serem trilhadas do que os mais de 1.500 quilômetros de caminhada por picadas na mata. Os diários são escritos na forma de uma longa como uma longa carta de amor à primeira mulher de Darcy, Berta Ribeiro. Compreendem o período das duas viagens de Darcy, como etnólogo do serviço de proteção ao índio entre os anos de 1949 e 1951.

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      Cada viagem tinha seis meses de duração, destinadas a estudar, documentar, filmar e defender os índios Kaapor, com quem se tinha mantido contato seis meses antes. É um obra incomparável que une o melhor do amor, do respeito e da erudição para se mergulhar na vida e na cultura do outro. No Brasil é muito difícil encontrar intelectuais do porte de Darcy, com a coragem de ver de perto e de dentro a vida dos destruídos da pirâmide social.

      Não é porque são eruditos, que leitura seja ruim, longe disso, os Diários são: despretensiosos, coloquiais, fluentes e agradáveis, a impressão que se tem, é que os acontecimentos acabaram de ocorrer. Os textos são o maior estudo antropológico brasileiro, com o dessecamento da vida dos Kaapor, seu complexo sistema de parentesco, os rituais de nominação, a riqueza da memória oral com a vida dos antepassados passando a história de geração em geração.

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      Diários Índios é um livro útil, que deveria ser lido nas escolas brasileiras, para que se entendesse um pouco mais da diversidade do Brasil. Darcy Ribeiro é daqueles personagens idealistas, um pouco quixotesco, mas de inegável envergadura não somente intelectual, mas cidadã na acepção mais profunda daquilo que essa palavra possa significar. Com sua coragem característica, dedicou o último dia e o último fio da vida à luta por fixar à terra dos índios e caboclos, preservando o seu saber sobre a floresta, o câncer o abateu, mas a sua luta é imortal.

 

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