A DETRAÇÃO DE LEANDRO KARNAL

Postado dia 10 de agosto de 2016, em Natureza e Sociedade

Man in Retro Room Answering at the Phone

        O já célebre professor Leandro Karnal escreveu A detração. Breve ensaio sobre o maldizer (2016). Em pouco mais de 100 páginas e num formato de livro de bolso, uma reflexão histórica, filosófica, sociológica e religiosa é construída pelo autor sobre o hábito de falar mal dos outros. Ele explora todo o processo da fascinação humana em falar mal dos outros, em especial daqueles que temos por perto. Ao falar mal do outro nos colocamos sempre em posição de superioridade em relação aquele a quem estamos reprovando.

1930s 1940s YOUNG COUPLE.

        Karnal traça um patamar da fofoca ao longo da historia da humanidade. Desde Churchill e Bernad Shaw que enviou ao estadista um dos seus desafetos preferidos um convite para a estreia de sua nova peça: venha e traga um amigo, se tiver. Churchill respondeu: infelizmente não poderei comparecer à primeira apresentação. Irei a segunda se houver. Ele fala também em como a detração é importante em campanhas políticas em países como os Estados Unidos e o Brasil, a postura pessoal dos políticos tem sido motivo de fofocas ao longo dos anos.

1930s TWO WOMEN SITTING IN...

        Chegando aos tempos de redes sociais e a possibilidade do anonimato, a fofoca se torna cada vez mais segura. E é responsável pela maior parte do tempo em que as pessoas ficam na internet. O interessante do livro é que a detração é universal e ao que parece é uma característica da condição humana. Ricos e pobres de todos os credos e posicionamentos ideológicos falam mal dos outros. A detração está nas sacristias, nos motéis, nos tribunais, nos metros, no vendedor ambulante e nos mais importantes gabinetes do poder.

1960s DOUBLE EXPOSURE...

      A detração é política, psicanalítica e sobretudo, cultural. É uma necessidade humana, estamos sempre construindo rivais e demarcando territórios. Sim, somos todos muito fofoqueiros. A criatividade maligna em relação a pessoas públicas é quase infinita. Envergonhada a fofoca se disfarça como: eu até gosto dela, mas… ele é um bom homem, pena que… A narrativa é erudita, mas é leve e conduz ao bom fluxo da leitura. Numa reflexão que nos faz pensar: e aí você já falou mal de alguém hoje?

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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