Natureza e Sociedade

AS BARBAS DO IMPERADOR- E O PASSADO MONÁRQUICO BRASILEIRO

 

        As Barbas do Imperador (2012 2a ed.) da historiadora Lília Schwarcz é um livro que merece ser visto, lido e revisto. D. Pedro II passou a história por sua fisionomia cansada, suas longas barbas brancas, seu rosto pensativo e a fama de um dos maiores chefes de Estado do Brasil. O livro disseca essa figura, que apesar da pompa ritualística européia importada para cá, era tão brasileiro quanto nossas maiores tradições e o Império do Brasil, mas tropical do que qualquer outro.

        O livro traz a vida do Imperador da sua infância ao casamento com Teresa Cristina, princesa napolitana, que acredita-se que ele só se afeiçoou um ano depois de casado. O contexto histórico começa na independência, passando pelo período da regência e o golpe da maioridade. O momento da coroação mostra a adaptação dos rituais europeus para a realidade nacional, expresso pelas vestes do soberano com penas de tucano e galo da serra.

        O que mais me chamou a atenção foi a representação de D. Pedro II menino, que teve que se afastar do estereótipo de órfão da nação, casar apressadamente e se apresentar como um homem velho e sério, um pai do povo, mecenas das artes e das ciências. A autora mostra também o peculiar fato de que a nobreza brasileira tinha seus títulos comprados e a representação da família real passou de leões e figuras míticas europeias, para ramos de café e tabaco.

        Ao descrever cenas da sociedade da época, Schwarcz, recorre as obras literárias produzidas no período, como Iaiá Garcia e Esaú e Jacó de Machado de Assis. Após viagens em torno do mundo, D. Pedro II, queria passar a imagem de monarca moderno e alinhado com os princípios republicanos. Por fim o Imperador é mandado para o exílio, onde morre, mas continuará brasileiro e patriota, e para o bem ou para o mal, está no imaginário coletivo e na cultura de um povo que segue a sombra de muitos costumes do seu passado monárquico.

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