A VOLTA DO NONSENSE

Postado dia 21 de novembro de 2012, em Natureza e Sociedade



            Essa semana após ler a declaração do Ministro da Justiça, dizendo preferir a morte a passar uma temporada nas cadeias brasileiras, lembrei-me do nonsense (absurdo) que é uma expressão inglesa para mostrar aquilo que é desbaratado, sem nexo, sem lógica, temos como exemplo na literatura o conhecido livro Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll. É a negação, o oposto daquilo que alguém vê como sendo a verdade. A cultura em épocas massificadas e principalmente mundializadas ressalta atos, falas e ações com caráter muitas vezes bizarro, que no Brasil é tão ao gosto dos nossos homens públicos. 

            Na segunda metade do século XX, o nonsense ganhou as artes, com o teatro do Absurdo que levava aos palcos a discussão sobre a crise social e moral que passava a sociedade naquele período, através de dramas insólitos, tentando desnudar a burguesia. Hoje percebo que esse teatro está mais presente do que nunca, a solidão do homem e sua insignificância permeia a nossa sociedade.


            Os tempos são outros, mas o burlesco, o absurdo e o insólito não precisa mais de autores nem de atores, são as pessoas do mundo real que protagonizam as cenas. Essa produção é feita com abundância em jornais, tevês, revistas e redes sociais. O homem mais do que nunca vive sozinho, convivendo com seu supremo egocentrismo iluminista.


            Só para se ter um exemplo do auge do burlesco, temos o facebook e o instagram, como supremos espaços onde se pode falar tudo ou simplesmente como autômatos, reproduzir o que dizem, através de um simples clique. A ideia é ver e ser visto nesse grande passeio público da virtualidade.


            Fiquei pensando em algumas passagens dos perfis brasileiros de moças ricas com maior número de seguidores no instagram e vi o que fazem: fotografam tudo, do que vão comer a roupa que vão vestir, passando pela compras, encontro com pessoas reais, arrumação da casa, em síntese qualquer coisa que possam encontrar, não existe sentido é o apogeu do burlesco, para ficarmos só num exemplo, e assim caminha a nossa sociedade, com velhos novos tempos. 

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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