TRÊS MULHERES FORTES: IMPRESSÕES DA LEITURA

Postado dia 31 de julho de 2013, em Na Estante



Ao ler o livro três mulheres fortes da francesa Marie Nadaiye o que se sente é um sensação de desconforto que só os grandes livros trazem. O livro ganhou importância a ponto da autora ganhar o mais importante premio da literatura francesa.


De inicio o que chama atenção é a escrita bem elaborada de Marie que nos conduz cinematograficamente para dentro da história e essa é uma característica dos grandes escritores. O livro narra três histórias que se cruzam, mas que conseguem se manter sozinhas.


A primeira é a de Norah, que chega de viagem para algum lugar distante para visitar o seu pai. O encontro proporciona uma sensação de desconforto e estranhamento  o que é a base da relação de ambos. A descrição do local e da fragilidade das relações é tão intensa que demostra o silencio e a magoa entre ambos. A pergunta que ela se faz é por que estou depois de tanto tempo.


A segunda história começa de uma forma diferente trata-se de Rudy Descas um homem que é ressentido com a mulher e que tem dificuldades de enfrentar os seus maiores medos. Ele é uma figura insegura, medíocre e covarde, mas mesmo assim parece ainda amar a esposa apesar de não entender o que ela faz por ele.


A terceira história Kandy Demba que acabou de perder o marido e será despejada da casa de sua família. O questionamento é saber que o marido era um bom homem mas agora como seguir em frente numa situação sem esperança.


Apesar dos sofrimentos dos personagens, e das situações terríveis em que vivem a autora mantem um certo distanciamento deles e parece só assistir tudo de longe. O que impressiona é o nível de humanidade dos personagens, com seus defeitos e mesquinharias, com uma mistura de tudo isso, tão próximo de todos nós. Dai se tratar de um grande livro. 

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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