A REDOMA DE VIDRO DE SYLVIA PLATH

Postado dia 29 de agosto de 2016, em Na Estante

 

    A Redoma de Vidro (1963) de Sylvia Plath, famosa poetisa americana que se suicidou no mesmo ano da publicação do livro é um dos escritos mais intensos que já li. Comecei a leitura de forma distraída e despretensiosa, mas o texto é tão envolvente e intimista que posso dizer que adorei. É sofrido, real, personalíssimo. É o tipo de leitura meio mágica capaz de abalar emocionalmente o leitor. O livro é meio autobiográfico e conta a história de Esther Greenwood, uma jovem que estuda em uma Universidade renomada e faz estágio em Nova York na redação de uma revista de moda.

    O interessante é o acompanhamento das distorções psíquicas da personagem que lentamente entra em depressão e enlouquece. Eu engatinhei de volta para a cama e puxei o lençol sobre minha cabeça. Mas isso não bloqueou a luz, então eu enterrei a cabeça sob a escuridão do travesseiro e fingi que era noite. Eu não via o porque de me levantar. Eu não tinha nenhuma expectativa. Os dias passam, seu animo piora, ela tenta formas de suicídio e é submetida a tratamentos de eletrochoques, comuns nos anos 1950 e 60. Quem teve qualquer tipo de contato com a depressão vai se identificar com a história.

Hopeless Woman Surrounded By Paperwork

 

    Esther mostra de forma dura e real que sua condição de mulher interfere no tratamento que recebe das pessoas e não aceita o desrespeito dos homens em relação a si e questiona qual o papel da mulher no casamento, o que a torna alguém feminista. O livro mostra que o suicídio e a depressão não são bonitos, muito menos poéticos é preciso muita seriedade para discutir o assunto. A personagem é cativante, lutadora e consegue manter sua sensibilidade, mesmo em um contexto extremamente difícil. Não acho que seja um livro para entreter, mas para levantar reflexões de como se pode enfrentar os próprios demônios, situação tão comum a condição humana.

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

Postado dia 29 de agosto de 2016, em Na Estante

O CASAMENTO DE NELSON RODRIGUES

 

Recebi o romance O Casamento (1966) de Nelson Rodrigues no primeiro mês em que fiz assinatura de um clube de leituras, acostumada as suas crônicas estranhei [...]

LEIA MAIS
Postado dia 29 de agosto de 2016, em Na Estante

A POESIA VIRA VIAGEM EM JOÃO CABRAL

 

A Literatura como Turismo (2016) de João Cabral de Melo Neto (1920-1999) nos lembra que o escritor é mais cultuado do que lido. Sua atividade literária f[...]

LEIA MAIS
Postado dia 29 de agosto de 2016, em Na Estante

UMA GARÇA NO ASFALTO DE CLAUDER ARCANJO

 

O mundo dos livros tem seus mistérios e um dos que mais gosto é encontrar pessoas que compreendam o meu amor pelas letras, isso não tem preço. Numa manhã de sábad[...]

LEIA MAIS
Postado dia 29 de agosto de 2016, em Na Estante

DESCOBRINDO O MUNDO COM CLARICE LISPECTOR

 

     Clarice Lispector é um mistério para todos os que se aventuram a entrar em seu mundo. Li “Todos os Cantos”, volume com as [...]

LEIA MAIS