“QUANDO NIETZSCHE CHOROU” , O ARRISCADO ENCONTRO CONSIGO MESMO

Postado dia 25 de julho de 2016, em Na Estante

 

          “Quando Nietzche Chorou” faz parte dos muitos livros que comprei que ficam um bom tempo esquecido. Leitura instigante, trabalho bem escrito, inteligente e sério sobre o nascimento da psicanálise. Com base em textos e outros documentos o autor, Irvin D. Yalom traça elementos da personalidade de Nietzsche um dos maiores filósofos do fim do século XIX, que antecipou as relações dos indivíduos com eles e com seu tempo no século XX. As conversas, mesmo imaginárias mas com personagens reais como o Dr. Josef Breuer (um dos pais da psicanálise) e o jovem Freud são memoráveis.

          Esse é um dos bons casos em que livros famosos se destacam como muito bem pela distribuição de conteúdos, sem narrativas complexas e diferentes. Os elementos emocionais são distribuídos em momentos de tensão, angústia, relaxamento ou alegria. Isso prende a atenção, conduz o apego aos personagens e a curiosidade no desfecho da narrativa. Além da magistral reconstrução da época como o fértil mundo intelectual da Viana do fim do século 19 e do anti-semitismo que já existia nas bases da sociedade.

Sigmund Freud Museum, Vienna, Austria

          O mais genial é que na leitura não sabemos o que é realidade ou invenção, a maioria dos personagens não se encontraram de fato, mas as cartas do grande compositor Wagner e a poderosa Lou Salomé são reais. Assim como a personagem Ana O. obsessão do Dr. Breuer, primeira paciente a ser submetida a um tratamento psicanalítico. Os cenários parecem muito reais, assim como a base dos estudos dos sonhos tão fundamental no entendimento da psicanálise. A construção dos sentimentos passam ao leitor a profundidade das relações. O embate entre Nietzsche e Breuer em cada sessão estimula a conhecer a seguinte, quando você ver estará passando as páginas automaticamente, esquecendo do tempo e da vida, seguindo as trilhas de uma aventura arriscada o encontro consigo mesmo.

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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