Na Estante

“QUANDO NIETZSCHE CHOROU” , O ARRISCADO ENCONTRO CONSIGO MESMO

          “Quando Nietzche Chorou” faz parte dos muitos livros que comprei que ficam um bom tempo esquecido. Leitura instigante, trabalho bem escrito, inteligente e sério sobre o nascimento da psicanálise. Com base em textos e outros documentos o autor, Irvin D. Yalom traça elementos da personalidade de Nietzsche um dos maiores filósofos do fim do século XIX, que antecipou as relações dos indivíduos com eles e com seu tempo no século XX. As conversas, mesmo imaginárias mas com personagens reais como o Dr. Josef Breuer (um dos pais da psicanálise) e o jovem Freud são memoráveis.

          Esse é um dos bons casos em que livros famosos se destacam como muito bem pela distribuição de conteúdos, sem narrativas complexas e diferentes. Os elementos emocionais são distribuídos em momentos de tensão, angústia, relaxamento ou alegria. Isso prende a atenção, conduz o apego aos personagens e a curiosidade no desfecho da narrativa. Além da magistral reconstrução da época como o fértil mundo intelectual da Viana do fim do século 19 e do anti-semitismo que já existia nas bases da sociedade.

Sigmund Freud Museum, Vienna, Austria

          O mais genial é que na leitura não sabemos o que é realidade ou invenção, a maioria dos personagens não se encontraram de fato, mas as cartas do grande compositor Wagner e a poderosa Lou Salomé são reais. Assim como a personagem Ana O. obsessão do Dr. Breuer, primeira paciente a ser submetida a um tratamento psicanalítico. Os cenários parecem muito reais, assim como a base dos estudos dos sonhos tão fundamental no entendimento da psicanálise. A construção dos sentimentos passam ao leitor a profundidade das relações. O embate entre Nietzsche e Breuer em cada sessão estimula a conhecer a seguinte, quando você ver estará passando as páginas automaticamente, esquecendo do tempo e da vida, seguindo as trilhas de uma aventura arriscada o encontro consigo mesmo.

Comentários