Na Estante

QUANDO LI TRAVESSIA DE UMA NOITE DE VERÃO




            Sempre me interessei pela obra de Truman Capote, em especial Sangue Frio e a sua mais memorável adaptação para o cinema que no Brasil recebeu o título de Bonequinha de Luxo, estrelado por Audrey Hepburn. Travessia de Verão é um livro que tenho desde o lançamento no Brasil em 2006, acho interessante a história dos originais terem se perdido e só tenham sido encontrado somente em 2004, o próprio final do livro nos passa uma ideia de não se saber ao certo se foi daquela forma, ou se o autor não terminou a história.

            A história fala de amores juvenis, quebras de valores e de paradigmas, encontra-se ambientada em Nova York, logo após a Segunda Guerra Mundial, onde uma moça da Alta Sociedade, prestes a debutar, Grade McNeil resolve passar o verão sozinha sem os pais em sua cobertura na quinta avenida, enquanto isso ela resolve viver um romance com um jovem judeu que trabalha num estacionamento de carros. A jovem não tem preocupação com padrões nem opiniões sociais o que deseja é curtir a vida fora dos padrões tradicionais.

            Travessia de Uma Noite de Verão conta a história de amor e de quebra de valores, de uma sociedade que era centrada em aspectos puramente tradicionais e individuais. A narrativa de Capote vai do simples ao rebuscado como podemos ver na pág. 59. Todo mundo é obrigado a querer casar? (…) sim: mas amor e casamento não são sinônimos notórios na mente da maioria das mulheres? Com certeza poucos homens conseguem o primeiro sem prometer o segundo.



            A narrativa é construída em terceira pessoa e conta muito sobre a sociedade da época, seus anseios, suas músicas, seus costumes suas perspectivas. O central do romance é a diferença social que se abre entre Clyde e Grady o que fica evidente em seu pensamento nessa fala pág. 89. Ela não tinha medo de dizer: eu sou rica, o dinheiro é a ilha onde eu piso; pois graças ao dinheiro podia sempre se dá ao luxo de substitui: casas, móveis, pessoas. Se os Manzers entendiam a vida de outra forma não estavam acostumados a tais facilidades. Clyde trata Grady mal como uma forma de se proteger do abandono que sabe que irá passar, cedendo ao caprichos, anseios e interesses da mimada garota rica.

            Apesar de não ser sua melhor obra Capote se mostra um prosista surpreendentemente talentoso, sua técnica de escrita de cunho jornalística considerada revolucionária nos anos 1960, é referência e copiada por muitos autores, mesmo sendo um romance inicial vale a pena conhecer e fazer a leitura da obra, do início da produção literária de Capote.  

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