Na Estante

QUANDO LI ELOGIO DA MADRASTA

         Elogio da Madrasta (2011) do peruano ganhou do Nobel de literatura Mario Vargas Llosa é o tipo de leitura que vai lhe retirar da zona de conforto. É preciso deixar os padrões de moralidade, de modelos familiares ou de princípios de certo ou errado. É uma estória onde o sexo e o prazer são mais importantes do que o amor. O livro conta a estória do casal Lucrécia e Dom Rigoberto que vivem um casamento feliz com carinho e muito sexo. Dom Rigoberto tem um filho adolescente Fonchito, que a princípio não gosta da madrasta, mas depois passa a aceita-la com uma nova abordagem. Fonchito um menino de aparência angelical, olhos azuis e cabelos loiros causa perturbação e sentimentos inimagináveis na mulher de 40 anos.

         A prosa é elegante, construída em primeira, segunda e terceira pessoa. O texto é mesclado em capítulos que contam a estória de Lucrécia e Dom Rigoberto com outro falando de arte. O livro se compõe em um todo perfeito e inconclusivo. A natureza humana é o elemento central do texto, principalmente a física, sexual. É um livro curto de leitura envolvente que dá a sensação de querer terminar logo para se saber aonde essa perturbante estória vai dá.

         O livro é mais profundo do que aparenta ser. Discute a natureza da felicidade, do egoísmo, do amor físico e da paixão. Llosa de maneira sedutora nos faz refletir sobre nossas noções de certo, nossas noções de culpa e nossas noções de inocência. Elogio da Madrasta não deve ser subestimado, pois nos faz refletir com profundidade sobre um tema relativamente simplista sem cair nos clichês. E deixa no ar vários questionamentos: o que é normal? O que é felicidade? O que é inocência? O que é o prazer? De que forma essas linhas se entrelaçam na condução da vida. Que venham mais textos de Llosa com suas artimanhas linguísticas, ótima companhia para noites de insônias.

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