QUANDO LI ELOGIO DA MADRASTA

Postado dia 29 de fevereiro de 2016, em Na Estante

 

         Elogio da Madrasta (2011) do peruano ganhou do Nobel de literatura Mario Vargas Llosa é o tipo de leitura que vai lhe retirar da zona de conforto. É preciso deixar os padrões de moralidade, de modelos familiares ou de princípios de certo ou errado. É uma estória onde o sexo e o prazer são mais importantes do que o amor. O livro conta a estória do casal Lucrécia e Dom Rigoberto que vivem um casamento feliz com carinho e muito sexo. Dom Rigoberto tem um filho adolescente Fonchito, que a princípio não gosta da madrasta, mas depois passa a aceita-la com uma nova abordagem. Fonchito um menino de aparência angelical, olhos azuis e cabelos loiros causa perturbação e sentimentos inimagináveis na mulher de 40 anos.

         A prosa é elegante, construída em primeira, segunda e terceira pessoa. O texto é mesclado em capítulos que contam a estória de Lucrécia e Dom Rigoberto com outro falando de arte. O livro se compõe em um todo perfeito e inconclusivo. A natureza humana é o elemento central do texto, principalmente a física, sexual. É um livro curto de leitura envolvente que dá a sensação de querer terminar logo para se saber aonde essa perturbante estória vai dá.

         O livro é mais profundo do que aparenta ser. Discute a natureza da felicidade, do egoísmo, do amor físico e da paixão. Llosa de maneira sedutora nos faz refletir sobre nossas noções de certo, nossas noções de culpa e nossas noções de inocência. Elogio da Madrasta não deve ser subestimado, pois nos faz refletir com profundidade sobre um tema relativamente simplista sem cair nos clichês. E deixa no ar vários questionamentos: o que é normal? O que é felicidade? O que é inocência? O que é o prazer? De que forma essas linhas se entrelaçam na condução da vida. Que venham mais textos de Llosa com suas artimanhas linguísticas, ótima companhia para noites de insônias.

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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