Na Estante

A POESIA VIRA VIAGEM EM JOÃO CABRAL

 

 

A Literatura como Turismo (2016) de João Cabral de Melo Neto (1920-1999) nos lembra que o escritor é mais cultuado do que lido. Sua atividade literária foi intensa e durou cinco décadas. Essa questão do desconhecimento dos poemas do autor sempre incomodou sua filha Inez Cabral, diz ela na introdução da obra em que faz uma seleção afetuosa dos poemas do seu pai na parte menos conhecida de sua obra, o turismo.

O escritor foi diplomata. A diversidade temática e de linguagem da poesia reunida revela sensações e experiências única na sua relação com cada país. O livro não se resume a mais uma coletânea, os poemas são intercalados com textos de Inez, contextualizado a vida que ele levava e qual a educação que recebia do pai. Cabral passou por Pernambuco, Suíça, Rio de Janeiro e Inglaterra, mas o destaque das poesias é com Sevilha na Espanha, onde parece que ele foi mais feliz.

Seus mais belos poemas são dessa época. Sua obra mais conhecida Morte e Vida Severina, musicada por Chico Buarque, o deixou preocupadíssimo em saber que teria sua obra musicada, já que era rigorosíssimo em seus escritos. Em um dos seus mais belos poemas sobre Sevilha ele nos diz: Vendo tanto passar/ só não assisto o tempo. / No corredor tortuoso/ da rua é menos denso. /Quanto mais faz passar/ em todos os sentidos. /O tempo ou se distraí/ ou se apaga dormindo.

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