Na Estante

O PAPEL DE PAREDE AMARELO

 O Papel de Parede Amarelo (1891) de Charlotte Parkins Gilman faz parte daquela categoria de textos que causam mais impacto do que divertem. Quando vi o conto não imaginava uma leitura tão densa, profunda e até perturbadora. Confesso que fiquei chocada. A protagonista foi diagnosticada com histeria, distúrbio psíquico comum no século 19, o interessante que quem determinou o quadro foram seu marido e irmão que eram médicos reconhecidos. A protagonista é obrigada a ficar num quarto que não deseja e a não fazer esforço físico, a única coisa que lhe chama a atenção é um papel de parede amarelo que lhe causa horror. Aos poucos acompanhamos a desestruturação psíquica da personagem, privada de companhias, de escrever, de ficar no quarto. O conto é construído mostrando o papel que é imposto a mulher na sociedade, de cumprir ordens e ser reprodutora da realidade social imposta para o feminino.

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     O conto é tão impactante que o sentido da leitura vai depender do grau de entendimento do leitor. Eu o compreendi no aspectos sociológicos, psicológicos e de terror leve. “De todo modo, não estranho nem um pouco seu comportamento, depois de três meses dormindo sob esse papel”. Apesar de densa a escrita é simples, um texto desconcertante mas inteligente, mais do que recomendado e fundamental em minha estante.

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