MARY POPPINS VAI ALÉM DE UMA ESTÓRIA INFANTIL

Postado dia 17 de agosto de 2016, em Na Estante

 

09 DE JUNHO 2014, ilustraÁıes de Ronaldo Fraga para o livro Mary Poppins da editora Cosac Naify. - ZOEIRA - 15de0801 - NLVL

       Mary Poppins vai além de um livro infanto juvenil. Nos 80 anos de sua publicação original a editora Cosac e Naify lançou uma nova edição com ilustrações do estilista Ronaldo Fraga. Primeiro a Mary Poppins do livro é bem diferente da versão fofinha que os estúdios Disney lançaram no famoso filme dos anos 1960 e fez sucesso no mundo todo. Para ler a obra é preciso se desprender do rótulo infantilizado colocado pelas produções comerciais do teatro e do cinema. A Mary Poppins de P.L. Traves é colocada no seio da família Banks e coloca ordem na rotina da família burguesa, indo além da plastificada rotina.

        Ela é o modelo da famosa baba inglesa, dura, culta, com humor ferino, ao mesmo tempo, fria e divertida. Responsável por trazer vida, diversão e aguçar a imaginação de quatro crinacas, que eram criadas por uma mãe relapsa e um pai voltado apenas para o trabalho. As crianças se apegam a ela, mesmo ela não sendo a mais doce das criaturas. Mary Poppins é o tipo de pessoa que cresceu mas não perdeu a capacidade de ver a vida além do aparente, continuado no fundo um pouco criança.

       É um mundo fantástico, não sabemos se os acontecimentos ocorreram ou se foi imaginação das crianças. É uma estória infantil, claro, mas que diz muito aos adultos, através subversão da ordem natural das coisas, podemos refletir sobre os pais que deixam os filhos com sucessivas babas, o valor do riso para tornar o dia mais agradável, a importância de tratar bem os animais, o egoísmo e o prazer que cada um tem dentro de si. São lições simples mas necessárias e Mary Poppins com sua mala de tapete que cabia o mundo, seu guarda chuva de cabo estranho e suas roupas alinhadas, nos lembra que é possível mudar o nosso mundo, dependendo da forma como vemos o mundo.

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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