Na Estante

DESCOBRINDO O MUNDO COM CLARICE LISPECTOR

 

     Clarice Lispector é um mistério para todos os que se aventuram a entrar em seu mundo. Li “Todos os Cantos”, volume com as 85 histórias breves que ela escreveu, lançado também nos Estados Unidos. Entrar em seu mundo é doído e me deixou dias em profundas reflexões. O livro traz luz a sua pessoa, mas o seu enigma permanece, sua legião de fãs só aumenta e a publicação dos seus textos em inglês, vai aumentar ainda mais o número de pessoas interessadas em sua escrita. Esses contos foram reunidos pelo americano Benjamin Moser, seu melhor biográfo e entusiasta de sua obra.

     A escritora era uma figura glamorosa, uma mulher bonita, elegante que tinha um sotaque aparentemente estrangeiro. Os contos vão do período em que ela uma garota de 19 anos até os fins da década de 70. Senti uma artista em constante transformação, mas complexa a ponto de não se ter como dizer uma última palavra sobre ela, para mim é um enigma que ainda tenho muito o que desvendar. Terminei o livro, com a sensação que devo reler, não fui capaz de encontrar um ponto final, trata-se de um livro aberto.

      Um ponto que merece atenção é sua transformação em uma mulher que se preocupa com o sentido do feminino,  apenas, para uma mulher mais feminista, de percepção, mais apurada, mais coletiva, atenta a posição da mulher no mundo. Seus textos são criativos, incisivos, e estão aí em forma de mito para serem decifrados pelos nossos contemporâneos. Sua escrita não tem tanta explicação lógica para uma legião tão grande de fãs, mas Clarice é assim ou você sente ou não.

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