Na Estante

AS IRMÃS ROMANOV E SEU TRÁGICO DESTINO

    O século XIX é um dos assuntos que mais me interessam, ler as “As Irmãs Romanov- A Vida das Filhas do Último Tsar” (2016) da especialista em história russa Helen Rappaport foi daquelas leituras que não se vê o tempo passar, a história é tão bem construída que deixa a leve impressão que os personagens são velhos conhecidos. Olga, Tatiana, Maria e Anastácia nasceram riquíssimas, cresceram amadas e admiradas tanto pela Rússia quanto pelos seus pais o imperador Nicolau II e a Imperatriz Alexandra Feodorovna, e pelos monarquistas do mundo em que viveram por beleza, simpatia e simplicidade.

    O livro é leve para uma realidade tensa e trágica, mostra as jovens com os estudos dentro do palácio, as temporadas em barcos imperiais, a ida a uma ou outra festa oficial, a descoberta dos primeiros amores, proibidos e não consumados. Esse ambiente era alterado apenas por doenças da época como a febre tifoide, as crises do irmão hemofílico, ou a doença cardíaca da mãe. Viveram num mundo paralelo a realidade russa, com personalidades servis totalmente devotadas aos pais e a família.

    A história é bem fundamentada, porque foi construída com base em depoimentos de pessoas que conviveram com elas e correspondências remanescentes. A época é muito bem reconstruída com o pensamento, os costumes, o distanciamento da família imperial de seu povo, as intrigas da aristocracia e a ignorada organização social que desencadeou na revolução bolchevique.

Library of Congress

    A família é extremamente influenciada pela imperatriz, que teve que enfrentar uma sociedade machista, conservadora e supersticiosa. Neta da rainha Vitória da Inglaterra, nasceu na Alemanha. Casou-se jovem com Nicolau, por amor e contra a opinião da sociedade russa, mas que exigiu que ela lhes dessem pelo menos um herdeiro do trono. A pressão em cada gravidez vinha por todos os lados, e só após a quinta tentativa nasceu Alexei. A hemofilia do filho e o medo de uma morte precoce, deixou Alexandra cada vez mais fragilizada, fechando a família num mundo particular.

      A força das irmãs Romanov se mostrou com a Primeira Guerra Mundial, que a Rússia participou perdendo milhares de soldados. Elas não hesitaram em vestir o uniforme de enfermeiras e cuidar dos soldados feridos. O assassinato do místico Rasputim, que era conselheiro espitirual da imperatriz, retirou a família da normalidade.  Após o crime, a revolução prosperou e Nicolau II abdicou passivamente. A família viveu em prisão domiciliar, foi afastada das pessoas, dos bens e dos benefícios. Depois foram isolados na Sibéria, até serem levados a Ecatimburgo já condenados a morte. Os relatos mostram as irmãs caminhando para a morte de forma resoluta até diante dos fuzis.

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