A LOUCA LUCIDEZ DE BUKOWSKI

Postado dia 20 de junho de 2015, em Na Estante

         Tenho uma amiga escritora que sabe além de técnicas de gramática, ela respeita muito as regras, mas não se preocupa tanto com a voz passiva nem com os adjetivos. As vezes peço para ela escrever, mas sei que não é assim que funciona, escrever vem de dentro é sentido. É assim que sinto os escritores de talento, pessoas que vão além da técnica. A crítica brasileira costuma ser conservadora e reagir negativamente a qualquer escritor que fuja dos padrões estéticos da boa escrita. Mostra-se exigente, principalmente em relação a elaboração e a construção do texto, da narrativa.

            Autores, hoje considerados malditos ou que romperam com o formalismo ao longo do século 20, continuam a ser desprezados por aqui como literatura menor. Para mim Charles Bukowski (1920-1994) é o mais notável. Sua escrita é crua, visceral, vomitada como dizem seus detratores, ao contrário do que acontece lá fora. Seu estilo econômico, direto e irônico construíram diálogos magistrais e modos muito peculiares de ver o mundo, a vida e as relações.

            Embora o próprio Bukowski tenha se mitificado como velho beberrão que escrevia de modo vulgar sobre prostitutas e sobre si mesmo de modo auto destrutivo, vejo suas estórias também como políticas. Há um claro inconformismo no modo como ele trata as coisas, o Estado, a exploração do trabalho, algo bem mais profundo e interessante. Ele retrata muito a hipocrisia como um comportamento institucionalizado que fizeram dos Estados Unidos a nação mais rica do mundo. Bukoswski é alma como diz seus versos: Há um pássaro azul no meu coração que quer sair mas eu sou demasiado duro para ele, e digo, fica aí dentro, não vou deixar ninguém ver-te.

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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