Misturas Filosoficas

SOBRE O SILÊNCIO

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        Sempre fui uma pessoa que preferiu mil vezes falar do que calar e como a maioria da minha geração fui seduzida pelas maravilhas dos tablets e smartphones com as informações ao alcance de um clique. Ontem fui a um passeio e não levei nenhum equipamento eletrônico e foi difícil lembrar a última vez que vivi essa quietude  e isso está longe de ser rabugice. Nós fomos eliminando aos poucos qualquer forma de silêncio das nossas vidas.

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        Vivemos em tempos enlouquecidos com a tecnologia, e principalmente com a possibilidade verborrágica dela. Passamos a maior parte do nosso tempo enviando mensagens de texto e publicando nas redes sociais. Estamos sempre atentos aos ruídos do celular e há uma necessidade de estarmos conectados as pessoas e ao mundo. A sociedade criou a ideia de que o silêncio é improdutivo, embora ele seja essencial para a manutenção do equilíbrio e do planejamento da vida.

        Parece que nada mudou tanto a natureza do homem quanto a perda do silêncio ele é a nossa fonte de saúde física e mental, condição irrevogável para a nossa reflexão. O desafio de se viver em um mundo tão barulhento é conviver com as distrações e conseguir se desligar dos estímulos que chegam a todo momento. O silêncio é uma abertura para a escuta do outro e de si mesmo.

        O interessante é que as forças que coexistem conosco são silenciosas: a eletricidade, a imensidão do espaço, a gravidade, os raios de luz, a divisão celular no nosso corpo, tudo acontece no mais absoluto sigilo. Se ligar ao silêncio é também de alguma forma está ligado a essas forças que conduzem a nossa vida. Temos medo do silêncio porque as vezes ele fala a nossa alma, diferente do barulho que ajuda a abafar o que queremos e o que não queremos escutar. Acredito que o silêncio é fonte primordial para criatividade, concentração, e sobretudo reflexão interior.

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