Misturas Filosoficas

PEQUENAS MENTIRAS

         Na última turma em que trabalhei na sala de aula o tema da Ética, isso no aspecto filosófico, nos deparamos com a discussão de que não existe meio ladrão, assim como não existe meia verdade, nem meio ética. Acho que não existe relação sem verdade, porque sem a clareza das coisas não estamos ligados, não há elo, somos soltos. Desde pequena, tinha duas questões de vida sérias para mim: o bem e o mal, a coragem e a covardia, acho que um pouco pela educação, um pouco pela minha formação inicial católica.

         Quando criança eu era muito quieta por medo de errar, era meio travada. Na adolescência quis ser rebelde, tinha um ar petulante e arrogante. Quando adulta me interessei por espiritualidade e foi uma luz, uma nova consciência mesmo, porque fui tentando me adaptar a todos os fundamentos, inclusive o da verdade, em todos os sentidos, aos poucos vou ajustando minha cabeça, meu jeito e entrando num trilho que é o que para mim funciona.

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         Sou naturalmente verborrágica, meio prolixa, contestadora, e acho que ter pai político e ser criada numa casa de professores me ajudou a ser falante. Aprendi com o tempo que quase tudo pode ser falado com jeitinho, a verdade é corajosa e limpa como um copo d’água. A verdade nos blinda, nos honra. Mas de vez em quando todos nós mentimos, principalmente quando dizemos que não mentimos. Mentimos porque a mentira faz parte da sociedade.

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         As pessoas que pensam que falam a verdade o tempo todo na verdade sofrem de inaptidão social. Mentirinhas são necessárias, um filtro possível para conviver sem confronto constante. O problema são as grandes mentiras, as traições, as questões de acordo, as mentiras que ferem. Essas são nocivas, destroem a confiança e na maioria das vezes são descobertas. Pequenas mentiras não são vergonhosas, vergonha é quem vive de apontar o dedo para os erros alheios sem sequer fazer ideia de quais são os seus, tamanha a falta de autocrítica. Mentimos sim, mas só vale quando não fere ninguém.

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