Misturas Filosoficas

O CORPO QUE HABITO

 

        Tenho um projeto para pós graduação em sociologia sobre O CORPO, essa ideia de pesquisar o papel do corpo surgiu meio que pelo que pesquisei no mestrado (o papel social do lixo), por influência do câncer que tive que modificou o meu corpo físico, assim como, pela percepção empírica das pessoas conhecidas ou não em relação ao corpo e a aparência corporal. O corpo carrega história. É com ele que nos colocamos no mundo, suas marcas, cores e dores, falam por si.

        Somos aquilo que os outros vem? Ou o que escolhemos para nós? O corpo é a nossa casa, um espaço imperfeito, e, por isso mesmo, único. Os padrões de beleza são cada vez mais rígidos e impositivos, ser gorda numa sociedade que o belo é magro, é extremamente excludente. Carregar no corpo as marcas de uma doença tem um tanto de estigma e segregação, quando estava careca tentava reafirmar todos os aspectos positivos dessa condição.

        A pele que habito é composta de amor, empatia, força, coragem. Elementos que se construíram em mim por sobrevivência. O câncer mudou minha vida. O duro caminho que tenho trilhado nos últimos três anos, revelou uma pessoa que eu não seria sem passar por essa doença. Não troco esse corpo pelo de antes. Me sinto mais no controle hoje. E sigo pensando e parafraseando Maria Bethânia: “qualquer brisa verga mas nenhuma espada corta”.

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