Misturas Filosoficas

O AMOR DE MINHA TIA

 

        Sou uma pessoa de sorte. Vivi na casa dos meus avós. Desfrutei de minhas tias solteiras até os trinta anos. Uma relação especial e maravilhosa ao longo de três décadas. Minha tia era como mãe, ou até melhor. Era um afeto genuíno, mas era protetivo na medida e não foi suficiente para me “estragar”. Sem ser mãe biológica, Tia como era chamada por todos, apresentava os maiores indicativos da maternidade.

    Tia era pura doçura, até sua voz melhorava quando se dirigia a nós. Seu doce de leite era inesquecível. Menina do interior fui criada a moda antiga, todos os dias como mantra repetia “Bença Tia”. Eu fazia com grande gosto, esse gesto era como uma licença dos mais velhos, uma abertura de caminhos. Quando ela dizia “Deus te abençoe” e olhava no fundo dos meus olhos, tocava fundo minha alma e meu coração.

        Seu olhar me dizia muito de proteção, cuidado, calor materno, doce de leite quente, pipoca estalando no fogão a lenha e chuva grossa que era possível um bom banho. Tia amava os sobrinhos e sempre tive certeza do seu amor. No último natal que passamos juntas, embaixo do aconchegante juazeiro eu a fotografei pela primeira e última vez. Em janeiro de 2013 seus olhos se fecharam e de vez em quando choro de saudades do seu doce e amoroso olhar.

Comentários