NÃO TENHA MEDO DE SER FELIZ

Postado dia 07 de março de 2015, em Misturas Filosoficas

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        Quando o homem europeu superou a fome, a cegueira unilateral da religião, e as limitações de sua condição humana com o desenvolvimento sofisticado de novas formas de pensar e o grande avanço da ciência com o domínio de técnicas sobre a natureza, prometeu-se ao ocidente uma condição quase permanente de felicidade. Acreditava-se que com o avanço tecnológico seriamos mais felizes. Quando vejo as estatísticas de adoecimento psíquico emocional e principalmente a forçada felicidade estampada nas redes sociais me questiono: o que deu errado com o ideal iluminista? Afinal nunca tivemos na história humana melhores condições de vida.

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         Contrariando o senso comum, quando iniciei o tratamento do câncer, resolvi entrar numa jornada em busca da tal felicidade. De imediato me despi dos medos de ser piegas, ou cafona e compreendi que só seria feliz se entendesse que na maioria das vezes o que me fazia bem era os pequenos detalhes do cotidiano. São momentos caseiros como ler livros, cozinhar, ver filmes no computador ou comer Nutella diretamente no pote.

        Claro que nem todos os dias são azuis com gatinhos fofos espalhados pela casa, tenho dias muito difíceis e desafiadores, mas aprendi a ter gratidão mesmo nos momentos negros, em treinar o meu olhar sobre os prazeres singelos do cotidiano. Aos poucos vou desconstruindo a ideia de que a felicidade está no extraordinário, nesses dois anos de tratamento voltada mais para mim do que para o mundo, entendo que a maior felicidade está nas coisas mais simples, o que pode ser um belo clichê, mas não me importo, os clichês também são verdades.

chuva

        Uma coisa é certa, felicidade é uma percepção subjetiva, cabe a cada um treinar seu olhar para essa condição. Entendo que no meu dia sempre tenho duas opções: reclamar sobre aquilo que não saiu como eu queria, ou ser grata por algo que consegui fazer, como escrever esse texto, anotar a próxima receita de molho ou brincar com meu gato. Para alegrar minha vida prefiro ver coisas que aumentem o meu sorriso e diminuam o meu ranço, e assim como um treinador vou a cada dia tentando melhorar o meu olhar para as alegrias do mundo.

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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