MORREMOS UM POUCO A CADA DIA

Postado dia 09 de fevereiro de 2015, em Misturas Filosoficas

 

      Desde sempre um dos sentimentos mais dolorosos ao homem é a certeza da morte, e a ideia do fim das capacidades cognitivas e da total falta de controle, do desconhecido e do inesperado. Parece que a contemporaneidade nos deixou cada vez mais cheios de si, com a sensação de poder e de prolongamento da vida, com o avanço da ciência, da medicina moderna e da tecnologia, temos a sensação de empoderamento, nos sentido comandantes de navios, embora sejamos apenas navegadores das nossas páginas da internet.

      Desde que descobri um câncer violentíssimo já vi a morte de perto várias vezes, mas inexplicavelmente sempre senti uma sensação de paz, de calma, jamais de intranquilidade e o medo que tenho é sempre razoável. Imagino que morremos quando temos medo de colocar a coragem embaixo de um braço e o medo embaixo do outro e seguir a caminhada da vida. Morremos também de tédio, de preguiça em sacudir a poeira, por acomodação em mudar nossa atual condição.

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      Morremos também de medo de nos conhecermos, de vermos o que temos dentro de nossas almas, de nossas consciências, cujos reflexos causam sombras na jornada da vida. Morremos também ao criticar exacerbadamente os nossos defeitos crônicos e os defeitos dos outros. Uma outra forma de morrer é quando nos tornamos zumbis televisivos, ou meros reprodutores autômatos do que é pré determinado pela mídia, que instiga os hábitos de sociabilidade e de consumo, aceitando tudo passivamente sem questionamentos.

      Não é o meu caso, mas, conheço gente que morre de silêncio em sufocar os próprios desejos, queixas ou questionamentos. É possível morrer também de soberba, arrogância, inveja ou vaidade. São pessoas que jamais conheceram a grandeza do perdão, da humildade ou da benevolência. Impossível não citar meu amado Vinícius de Moraes quando diz: eu morro ontem, nasço amanha onde não há espaço meu tempo é quando.

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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