Misturas Filosoficas

A LEVEZA QUE O AMOR DEVE TER

            Dizem que amor só presta se for muito se transbordar eu não acredito, particularmente prefiro qualidade a quantidade, tudo que é demais cansa. Temos uma sanha incontrolável de posse, exigimos sempre do outro muito mais do que ele poderá nos dá. As vezes penso naquelas pessoas que mentem a si mesmas dizendo que encontraram “o amor”, a “pessoa certa” que agora é a vez da paixão quando na verdade não estão sentindo nada além de um imenso vazio e uma ânsia insuportável por preenche-lo.

            Como se fosse possível determinamos o que é amor verdadeiro. Dentro de uma curta fração de tempo, cometemos vários equívocos. Escolhemos uma pessoa e nela depositamos nosso arsenal de carências sem dó nem piedade, e ainda somos capazes de dizer “você não me dá atenção”, “eu queria mais amor”. Cobramos dos nossos pares perfeição amorosa, e esquecemos que eles são exatamente seres tão perdidos como nós.

            Nossos parâmetros são inatingíveis de serem alcançados, nossas exigências são inviáveis. Cheguei a definição de quem somos nós para determinar qual o tamanho do amor alheio? Que tipo de maníaco vai determinar como quer ser amado? Tenho a firme convicção que amor vem como quer, e quando quer, quase sempre quando não se está esperando.

            Acho que a escassez de amor que vivemos na contemporaneidade, vem muito da nossa mania de categorizar e racionalizar tudo, paradigmas tão comuns a nossa sociedade. Mas o que falta realmente é amor dentro de nós. Não na pessoa que escolhemos para amar. Vamos descer do pedestal de especialistas na alma humana e admitir as nossas imperfeições. O amor do outro só começa depois que descobrimos o nosso. Vamos lá, menos cobrança e mais leveza, menos papo furado e mais ação.

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