CARTA PARA RECOMEÇAR

Postado dia 21 de março de 2015, em Misturas Filosoficas

       Você nunca deixou que sua alma se fechasse, nunca parou de ouvir sua música, de juntar os cacos do seu coração quando foram quebrados e espalhados pela casa. Com muito esforço tropeçando em seu próprios pés foi preciso reaprender a andar inúmeras vezes no percurso da vida. Nunca soube o que ia encontrar lá na frente, mas mesmo assim foi, porque sabia que era assim que tinha que ser. Quando dava vontade vasculhava suas lembranças e ia em busca de pessoas queridas que lá dormiam para poder abraça-las.

Moca almeida junior

      Mas você nunca quis ser super, somente humana, demasiadamente humana e por isso, as vezes você sente um medo profundo apertando seu coração. Esse não é aquele medo banal de perder o emprego, de sentir dores físicas, de viajar sozinha para um país distante. O seu medo é de cair na rotina mecânica da sociedade, de trabalhar, de pagar as contas, de acumular coisas e de se conformar com as loucuras do mundo e as incertezas da vida.

      Mundo louco em que se briga para garantir que o meu Deus é mais importante do que o seu, mundo em que o pedinte é capaz de nos passar a perna, mundo em que o político já não esconde que atende os próprios interesses e não da utopia do bem comum. Medo das doenças oportunistas, do trânsito desenfreado, da ausência da chuva. Medo sobretudo, de todas as verdades absolutas.

tarsila

       Mas você carrega uma força de esperança em seus olhos infantis e está acostumada a viver uma vida que se equilibra na corda bamba entre o céu e o inferno. Você passou a vida se embriagando de arte e poesia quando lembra disso sente uma satisfação interior, um orgulho muito pessoal que enche seu coração de alegria. Você acredita que viver vale muito e quando está meio triste no silêncio do seu quarto cantarola baixinho uma canção do poeta Vinícius de Moraes que diz: Quem já passou por essa vida e não viveu, pode ser mais mas sabe menos do que eu. Porque a vida só se dá pra quem se deu, pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu. 

 

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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