Misturas Filosoficas

A ARTE DE NOS ACHARMOS

          Depois que fiquei doente tem uma pergunta que nunca mais deixei de fazer nem com os outros nem comigo mesma o questionamento de quanto tempo nos cabe da vida? Sei que é uma pergunta impossível de ser respondida, vivemos na incerteza, não imaginamos o que vai acontecer nesse instante. Não desconfio para onde a vida vai me levar, não tenho ideia do que me espera no caminho que todos nós iremos seguir. Sempre me disseram que o tempo divino é outro, muito diferente do nosso pautado no insondável, e que é ele quem controla o nosso tempo, sendo assim, o melhor que temos a fazer é ir vivendo.

            Me achar é definitivamente uma novidade dentro da minha existência, uma grande ironia que o câncer trouxe. Quando nos achamos as balas não matam mais, as guerras encontram a paz, os ódios cessam, os ímpetos de morte se acabam. Somos divididos em milhões de possibilidades que se espalham no tempo e no espaço. Como a vida seria fácil se tudo fosse no nosso tempo! Se o resto do mundo compreendesse e obedecesse o nosso sistema lógico.

            Mesmo sabendo que caminhamos no escuro, sem a menor ideia de onde isso vai dá, nos encontrar, ou quem sabe ter consciência da nossa real situação, da nossa condição, nos causa uma alegria sincera, uma vontade de percorrer esse caminho incerto que é a vida, e a consciência de nossa única certeza é preciso nos acharmos para que seja possível nos perdermos.

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