A ARTE DE NÃO TER CERTEZAS

Postado dia 29 de maio de 2015, em Misturas Filosoficas

 

            Desde que iniciei meus estudos na área da metodologia da ciência descobri que o sucesso da investigação do mundo social estava em não ter certezas, em se desfazer das minhas verdades absolutas e das certeza de um mundo ordenado como mero resultado de um cálculo lógico. Quando descobri o câncer e a ciência atestou que eu tinha pouco tempo de vida me veio a velha máxima de ter cuidado nessas certezas tão previsíveis, eu particularmente, não tenho certeza de nada nem quero ter. Já encontro gente demais exibindo convicção para tudo, se engordou é porque é desleixada se emagreceu é porque vive para os padrões de beleza, se é evangélico é fundamentalista, se é espírita é mal assombrado.

            Fico aqui no meu canto cercada de dúvidas: ortográficas e gramaticais em três idiomas, qual a quantidade certa de massa para o meu bolo de limão siciliano? Como fazer para consumir menos supérfluo? Dentre outras, na verdade são bem muitas. Aí penso viver é passar nosso tempo respondendo questões, buscando novas alternativas. Não tenho certezas aqui acolá tenho palpites e intuições, totalmente suscetíveis a mudanças.

            Escolhi o silêncio para os que têm verdade absolutas, certezas definidas. Sou alguém que prefere a dúvida e a incerta do dia seguinte, não sei vai chover amanha, mas se chover aproveitarei com imenso prazer, se alguém vai me visitar, se vou conseguir estudar mais uma regra da indefectível gramática francesa, se terei disposição para testar mais uma receita. Desejo vida longa e felicidade plena aos oráculo das certezas, o mundo também precisa deles. Eu prefiro a tranquila descoberta do que tem na última página do livro, a leve surpresa da próxima musica do rádio e a melhor de todas, quem virá me visitar hoje? Não, eu não certeza de nada.

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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