Galeria de Arte

O DIA EM QUE VISITEI O MASP

 

       Era manhã de uma terça feira fria, fria até demais para os meus padrões sertanejos e o meu nível de tranquilidade habitual tinha sido rompido com a iminência de ver o maior acervo de artes da América Latina, um dos mais importantes do mundo. Na porta do museu tinha adolescentes protestando pelo fechamento de escolas pelo Governo de São Paulo. A Avenida Paulista, essa jovem senhora anfitriã da cidade, se mostrava barulhenta, mas imponente, produtiva e mecenas das artes. Um poeta vendia seus livros aos que lhe davam atenção e dizia que era tão amante das artes que estava a vinte anos naquele local.

        O grande edifício de linhas modernista e cor vibrante é testemunha do papel visionário de Assis Chateaubriand (magnata da imprensa brasileira) sobre o que pensava sobre as artes no Brasil. A maioria do valiosíssimo acervo do Masp foi comprada por Chatô na Europa devastada pelo pós guerra. O museu é dinâmico e coloca o Brasil na rota das artes mundiais nos últimos 68 anos. A biblioteca de obras raras é fantástica, assim como a lojinha de souvenires.

renne

        As exposições são pensadas de uma forma absolutamente moderna com painéis suspensos e outros paralelos a pinacoteca, aproximado as obras do público. Vi duas exposições e como não poderia deixar de ser diferente fiquei impressionada com a exposição da Arte da França de Delacroix a Cézane. São quadro dos notáveis que vão do século 18 ao 20, com retratos, naturezas mortas, paisagens, cenas históricas. O Impressionismo de perto parece ainda mais delicado, com a magia de sua luz, As Quatro Estações (1853-1866) de Delacroix são colossais e causam um impacto visual imensurável.

        Na verdade o que mais me impressionou foram os retratos de mulheres do meu velho conhecido Modigliani. René (1917) é uma figura que parece que o artista conseguiu ver a alma, diferente de Lunia (1918) que me pareceu mais enigmática ainda. O que muito agradou meu olhar foram as telas As meninas Rosa e Azul (1881) e Menina com Espigas (1888) de Renoir com sua cartela de cores feminina e delicada. A coleção é o ponto alto da visita porque sugere um conhecimento de arsenal de grande significado para a cultura contemporânea.

        A visita para mim foi cheia de sentidos, cores, significados psicológicos, emotivos e simbólicos. O museu é moderno, urbano, cosmopolita, mas ligado a natureza através do seu enorme vão, além de ser um dos mais belos e representativos cartões postais da Cidade de São Paulo e motivo de orgulho para todos os brasileiros que assim como eu compreendem a sua importância afirmativa para a construção da personalidade cultural do país.

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