A ARTE DOS PODEROSOS

Postado dia 06 de maio de 2015, em Galeria de Arte

 

            Essa semana um acontecimento midiático deu a medida do que significa a imagem e a simbologia do poder político ainda no século 21, o nascimento da filha do herdeiro do trono da Inglaterra, mostra a consciência que eles tem da representação de suas figuras e o que é necessário para diferencia-las do homem comum. A família com o bebê recém nascido posam para as câmeras de todo o mundo incorporando gestos específicos, reproduzindo imagens da soberania britânica que existe, pelo menos, desde o século 17.

            Um momento do qual o período da representação pessoal foi extremamente destacada é o do “Rei Sol” Luís 14, de 1643 a 1715. Foi nessa época que ocorreram as transformações na maneira como o rei se apresentava oficialmente a população, nas visitas ao palácio e nos salões de pintura que aconteciam no Louvre. Nos quadros que ilustram esse texto podemos analisar as relações entre o rei e o palácio do ponto de vista simbólico, com a presença ostensiva de elementos de arquitetura e de decoração, com qualquer retrato do monarca e de seus descendentes.

            Luís 14 nossa notável exibicionista adotou a estratégia de perpetuar suas qualidades políticas sempre por meio da imagem e isso o torna bem próximos dos poderosos políticos atuais, sejam eles representantes da monarquia ou ungidos ao cargo democraticamente. Tenho especial predileção pelo quadro de Luís XV com 63 anos de idade pintado por Drousais.

            É um retrato especial porque deixa transparecer melancolia no olhar instável e indeciso do rei. Apesar de se dirigir ao espectador, que simboliza seus súditos parece mais implorar ajuda do que transmitir alguma confiança. Doente de varíola, recluso e isolado, Luiz 15 morreria poucos meses depois. A ousadia de Drousais está justamente no fato de instituir, no campo de sua pintura, uma relação íntima e crítica entre temas pessoais e políticos, vida privada e pública, temas atuais e caros aos poderosos da nossa contemporaneidade.

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AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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