QUANDO VI TEMPOS MODERNOS DO CHAPLIN

Postado dia 10 de julho de 2012, em A Magia do Cinema



            Tinha 18 anos quando vi o filme Tempos Modernos de Charles Chaplin, estava cursando a disciplina de Sociologia I com a Doutora Conceição Maciel na Faculdade de Serviço Social, de imediato o filme não me causou tanto impacto, mas, como tive que revê-lo causou em mim impressões que carregarei por muito tempo, na condução de minha vida profissional. A imagem do vagabundo mostra a substituição do artesão pelo operário. O trabalho que o operário realiza o leva a um processo de alienação e de adoecimento com um colapso nervoso, no repetitivo processo de produção da linha de montagem. O vagabundo entra numa série de acontecimentos, sendo confundido com grevistas, comunista e louco, até encontrar uma órfã que passa a ser sua amiga e lutar com ele para sobreviver dentro do sistema capitalista.


O filme é mais do que arte puríssima é antes uma avaliação apurada da sociedade da época.  Após a crise de 1929, a produção industrial norte-americana reduziu-se pela metade, em 1933 o país contava com 17 milhões de desempregados, o Presidente Rossevelt, anunciou o New Deal que visava recuperar a economia. De 1934 a 1940 foi o período de crescimento do movimento operário, pressionado pelos movimentos grevistas o Congresso aprovou o direito de associação dos trabalhadores e Acordos Coletivos com os empresários.

Chaplin mostra toda a tipicidade da sociedade industrial do início do século XX nos EUA, uma sociedade mecanizada e voltada exclusivamente para o lucro. Com a adoção das práticas fordistas e tayloristas o trabalhador passa a deixar de ter qualquer influência na produção e o seu trabalho a ser mecanizado, para ser operário não precisava de especialização somente repetir o movimento das máquinas.



            Para mim a maior mensagem do filme é a relação homem-máquina, é a apropriação do tempo pelo sistema capitalista de produção. Máquinas são tão indispensáveis à produção que o homem passa a se confundir com elas. A cena que melhor retrata isso é quando Carlitos fica preso entre as imensas engrenagens de uma máquina, se confundindo e não podendo mais ser separados. A inadequação de Carlitos ao trabalho alienado perpassa todo o filme.


No fim do filme quando sua companheira, indignada com a situação de perseguição, miséria e desemprego pergunta: para que tudo isso? Ele responde: levante a cabeça nunca abandone a luta. Mas a reação deles não é o enfrentamento do capital mais se direcionar em relação ao campo. Em 1936 ano do filme, e do advento do cinema falado o personagem Carlitos se despede, são os chamados Tempos Modernos. 


Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

Postado dia 10 de julho de 2012, em A Magia do Cinema

A UNIVERSALIDADE DA CLIENTELA DE NICE DA SILVEIRA

 

         Ver o filme Nice no coração da loucura (2016) é um alento para a alma e o que existe de mais profundo no humanismo, o campo da saúde mental. Nice [...]

LEIA MAIS
Postado dia 10 de julho de 2012, em A Magia do Cinema

THE CROWN, RESENHA

 

The Crown (2016) produzida pela Netflix foi uma boa surpresa para mim nesses últimos meses do ano. A série se propõe a responder a pergunta: quem é Elisabeth, essa figu[...]

LEIA MAIS
Postado dia 10 de julho de 2012, em A Magia do Cinema

AQUARIUS É UM FILME QUE PRESERVA A MEMÓRIA

     Aquarius (2016) do diretor Kléber Mendonça é antes de tudo um filme sobre a memória sem saudosismo ou qualquer outro tom piegas.[...]

LEIA MAIS
Postado dia 10 de julho de 2012, em A Magia do Cinema

A SEGUNDA TEMPORADA DE NARCOS É MELHOR AINDA

 

         A segunda temporada de “Narcos”, da Netflix com o ator Wagner Moura no papel do traficante Pablo Escobar com dire[...]

LEIA MAIS