A Magia do Cinema

PARA SEMPRE ALICE MOSTRA QUE A VIDA É AGORA

           Para sempre Alice (2014) é daqueles filmes que são bem avaliados por quem mais entende de filme, o público. É um filme de atriz que se torna grandioso não pelo roteiro mas pela atuação de Julianne More no papel da importante professora de linguística Alice que aos 50 anos se descobre com Alzheimer precoce. Alice é uma mulher com uma carreira bem sucedida, um casamento feliz, filhos crescidos e hábitos saudáveis que de repente se ver diante do maior imperativo que alguém pode enfrentar nessa vida uma doença grave.

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         Ver esse filme teve um relevante significado para mim, porque é muito difícil parar a vida e tudo aquilo que nos representa por causa de uma doença. É a perda de sentido, de identidade, de temporalidade da noção de que o tempo é um bem estável e que existe ao nosso dispor e interesses. Para sempre Alice mostra em detalhes como uma vida pode passar rapidamente, com o enfrentamento de uma doença com grande desgaste psicológico e emocional de quem está acometido colocando em teste relações familiares, profissionais e de amizades. O filme supera a vala comum e mostra poesia diante do caos.

        É o tipo de filme em que todos ganham um pouco: o expectador, a academia, o mundo do cinema, Moore que mereceu muito o Oscar que ganhou, interpreta a personagem na medida, tentando não ser caricata. Me irritei com a trilha sonora melosa, o roteiro meio truncado que dá uma ideia um tanto quanto vaga do que a família está sentindo diante de uma doença tão grave. Mas fica uma lição inevitável com a apresentação da evolução do quadro clínico da personagem: tudo pode passar muito rápido e a vida apagar numa questão de segundos. Narrar a história de uma pessoa intelectual que vive da memória, perder gradativamente seu auto controle e individualidade é muita sensibilidade. Se não for levado em consideração as questões técnicas o filme vale a pena ser visto.

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