A Magia do Cinema

ORSON WELLS UM INVENTOR DE VERDADES

 

             Agora em 2015 faz trinta anos da morte do cineasta Orson Wells ele contava 70 anos e sua obra já tinha provocado grande impacto no período entre guerras (1918-1939), sua figura alcança uma incomensurável dimensão na sua produção de teatro, rádio, cinema e TV. Wells é uma figura tão singular que não foi a sua morte que ajudou a construir o mito, este já existia na faixa dos vinte anos. Ele foi considerado o novo gênio americano, sua montagem de Macbeth (1936) com elenco todo negro, a radionovela a Guerra dos Mundos que parou os Estados Unidos em 1938 e o imbatível Cidadão Kane (1941) são provas de sua originalidade.

            Orson Wells não inaugurou apenas o cinema moderno, foi um ícone da cultura de massa que chega a nossa contemporaneidade. Em Cidadão Kane ele inaugura uma linguagem de um cinema que fala de si mesmo, que coloca a potência do falso, que ele mesmo é, em questão, característica fundamental da nossa cultura de falsidades e ilusões. Com a Guerra dos mundos Wells mostrou aos americanos que não deveriam crer em tudo que o rádio dizia, apontando um caminho para a nossa era de verdade relativas e fugazes.

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            As comemorações da lembrança da morte de Wells prometem mais do que nostalgia, vários eventos que vão de documentários a releituras de sua obra. O ponto alto será o lançamento do terceiro volume de sua biografia que vem sendo escrita a duas décadas pelo ator e diretor britânico Simon Callow. Não faltarão também menções a sua incapacidade de terminar projetos como o filme É Tudo Verdade que ele começou a filmar na década de 1940 aqui no Brasil. De tudo isso uma coisa é certa, Orson Wells permite um amplo espaço de visões e discussões para a compreensão da cultura, das artes e da sociedade contemporânea, sendo assim, ainda falaremos muito dele.

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