MAD MEN ENCERRA MOSTRANDO A REALIDADE DA VIDA

Postado dia 03 de agosto de 2016, em A Magia do Cinema

 

casting

    Mad Men é uma série sobre pessoas e é aí que está o seu maior feito. Não é uma narrativa com grandes reviravoltas, teorias amalucadas ou mundos paralelos. É uma construção da realidade, da vida como ela é, das incoerências e particularidades da condição humana. São personagens que mostram suas histórias e conflitos pessoais, tendo como pano de fundo os principais acontecimentos do século 20 (a série se passa do fim dos anos 1950 ao início dos anos 1970).

Jon Hamm as Don Draper - Mad Men _ Season 7, Episode 14 - Photo Credit: Justina Mintz/AMC

    Don Draper, personagem central, teve tudo aquilo que alguém em sua época poderia ter, mas mesmo assim, não trabalhou a favor de sua construção psíquica. Draper continua sendo um pai medíocre, um marido infiel, um profissional mergulhado no alcoolismo e nos rompantes de desequilíbrio emocional. Mostrando que o passado não pode simplesmente ser apagado, somos o resultado de nossas estórias e Dick, quem Don foi, continua dentro dele e ressurgindo cada vez mais forte.

Jon Hamm as Don Draper and Elisabeth Moss as Peggy Olson - Mad Men _ Season 7B, Gallery _ Photo Credit: Frank Ockenfels 3/AMC

    Na Sterling Cooper & Partners muita coisa mudou e quando a empresa é absorvida por uma grande concorrente da área de publicidade, Don deixa o ramo e vai viajar pelo os Estados Unidos, sendo aquilo que desejar no momento, piloto, mecânico, veterano de guerra. O que ele procura é um motivo para viver, no meio de tantas mentiras que contou para si mesmo. No episódio final ele fala com as três mulheres de sua vida, a filha Sally, a ex mulher Betty e a colega Peggy, nas falas ele reafirma sua condição de menino órfão criado num prostíbulo. Ele está sozinho no meio da multidão, mesmo sendo bonito, inteligente, charmoso e talentoso. Don não sabe reconhecer o amor, não tem condições de recebe-lo muito menos de doar, talvez essa tenha sido seu mais difícil e real reconhecimento.

Jay R. Ferguson as Stan Rizzo and Elisabeth Moss as Peggy Olson in Mad Men.

    Num mundo ainda mais misógino do que o que conhecemos as personagens femininas fazem história. Peggy foi a mais corajosa de todas, deixou os valores da família tradicional para trás, inclusive um filho, tudo para ter sucesso na carreira. Bateu de frente com Don, seu mentor, soube que tinha valor na nova empresa e quando quis, resolveu amar um colega de trabalho, a personagem nos mostra que uma mulher pode ser bem sucedida, sexy e ter alguém do seu lado. Joan demorou a provar que era além de uma secretária bonita e mesmo com um novo amor e equilíbrio financeiro preferiu ter identidade própria e abrir seu próprio negócio.

Kiernan Shipka as Sally Draper - Mad Men _ Season 7B, Episode 13 - Photo Credit: Michael Yarish/AMC

    Sally Draper, mesmo sendo adolescente e traumatizada pelos pais, mostra maturidade diante deles. Assume o papel de cuidar dos irmãos, quando a mãe aparece com um câncer de pulmão terminal e mostra ao pai que o seu lugar sempre foi longe, o de um pai ausente. Betty também termina com dignidade, mesmo tendo descoberto um câncer, ela vai estudar psicologia e mostra que vai além da esposa e mãe ideal.

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   Mad Men é um grande trabalho da dramaturgia, os personagens tiveram um adeus decente, real como toda a proposta da série, sem grandes dramas ou reviravoltas. A vida de pessoas com suas jornadas, mudanças pessoais, costumes e histórias mostra que a fórmula em falar da vida real é infalível. A despedida vem na hora certa, mas deixa no ar que assim como na nossa vida tudo pode acontecer, inclusive a continuação da história de vida dos personagens.

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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