EDUARDO COUTINHO CONSTRUTOR DE MEMÓRIAS SOCIAIS

Postado dia 10 de outubro de 2015, em A Magia do Cinema

 

SAO PAULO, SP. 25.10.2013 FOTO ARQUIVO MORTE EDUARDO COUTINHO Entrevista com o cineasta brasileiro, Eduardo Coutinho, no CineSesc da rua Augusta em Sao Paulo. - NACIONAL - 03NA1871 - EDUARDO ANIZELLI

    Definitivamente escrever, falar sobre coisas, pessoas e contar histórias não é uma tarefa fácil. Já tinha lido e visto muita coisa do Cineasta Eduardo Coutinho e sua morte trágica  ocorrida ano passado aos 80 anos me impressionou tanto que faço esse texto com um bom lastro de atraso. A delicadeza com que sempre tratou seus personagens merece ser referenciada, seu engajamento ético é notável num mundo construído cada vez pela exacerbação dos interesses individuais. Coutinho tratava seus personagens em seus documentários como um gênero tão importante que nenhuma ficção seria capaz de acompanhar. Recusava a lente do clichê raso do oprimido, mas não tinha ilusão de que estaria livre da ideologia, mas sua lealdade era com os personagens.

    Para mim o seu filme mais marcante é Cabra Marcado para Morrer, talvez por se passar no vizinho Estado da Paraíba e tratar dos conflitos no mundo rural tão comuns na minha infância na metade dos anos 80. As primeiras filmagens de Cabra aconteceram em março de 1964, imagino como deve ter sido difícil não tomar partido numa zona da mata extremamente conflituosa. Dezessete anos depois quando conseguiu retomar as filmagens abortadas pelo golpe militar de 1964, encontrou a família do líder rural assassinado João Pedro Teixeira separada, traumatizada e marcada pelo trauma da perseguição.

    Coutinho era obcecado pela feitura do filme em si. Era um personagem curioso, que deixou a faculdade de Direito do Largo do São Francisco, estudou cinema em Paris, largou o emprego na TV Globo e foi fazer cinema visceralmente social. Ele dizia que o maior compromisso que tinha era com a memória de seus personagens e nada mais interessante do que a história do aposentado viúvo de Edifício Master (2002) que todos os sábados ligava o som no último volume para que os vizinhos ouvissem May Way.

Comentários

AÍLA ALMEIDA

Leitora compulsiva, levo a vida a assistir filmes, escrever textos que me acalma e fazer bolos. Queria saber desenhar e costurar. Quero passar um tempo em Paris, pular de para quedas, criar mais um cachorro. Queria se poliglota, estudo inglês, francês e italiano a anos. Ao que tudo indica nasci no século errado.

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