A Magia do Cinema

E BRIGITTE BARDOT CRIA A MULHER LIVRE

        Ler biografias é indiscutivelmente meu gênero preferido e ler a Biografia de Brigitte Bardot (1937) da Jornalista Marie Dominique Lelièvre foi de uma doce curiosidade literária, cinematográfica e sociológica. Desvendar a vida de uma das primeiras celebridades do show business da mulher que ousou se postar como homem, da atriz que interpretou durante toda a carreira seu melhor papel, o de si mesma. Numa época de estrelas hollywoodianas com cara de bonecas plastificadas, Bardot conquista o mundo com seu primeiro filme E Deus criou a Mulher (1958) do seu então marido Jorge Vadim, com roupas leves, maquiagem natural e cabelos soltos.

        A jornalista escreve com base nos depoimentos de pessoas da época e em pesquisas documentais. O livro traça um perfil da atriz bem real, mostrando suas franquezas, seu egocentrismo e seu desequilíbrio emocional. A autora mostra o filho negligenciado e sua relação bipolar com a imprensa, de se sentir perseguida, ao mesmo tempo que expunha sua vida íntima em detalhes.  Ícone de uma geração, influenciadora de estilos e de moda, ela agradava aos homens por ser sexy, e as mulheres que queriam ser como ela. A autora mostra o que talvez seja a explicação pelo seu comportamento instável, os pais queriam um filho homem e durante a infância ela foi considerada feia pela mãe que a maltratava e zombava porque ela não enxerga por um olho.

        Bardot tem uma sensualidade explícita que sua geração aspira viver. Ela é a rainha dos anos 1960, seu penteado, suas roupas, sua maquiagem é copiada (até hoje em demasia), ela dança o balé do consumo de uma sociedade cada vez mais interessada na vida privada dos seus ídolos. Brigitte é a mulher que ousa ser Don Juan e troca de amores de acordo com os seus interesses e conveniências. Quando um homem deixa de admira-lo BB o troca por outro.

brigitte bardot em la madrague

        Ela canta e grava sucessos, antes dos 35 anos já é um mito. O mais fascinante em sua pessoa é não ter deixado que os estúdios moldassem seu comportamento, nem ter medo de expor sua conturbada vida sexual. Brigitte encerra sua carreira em 1973 e diz que não suportaria envelhecer nas telas como Greta Garbo. Ela passa a se interessar pela causa animal e doa quase todos os seus bens para uma fundação, desde então vive reclusa, presa dentro do seu próprio mundo, enredada no seu próprio personagem.

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