A Magia do Cinema

DEZ ANOS DO FILME O AVIADOR

 

Fico impressionada como podemos mudar em dez anos, revi o filme O Aviador (2005) de Martin Scorsese e tenho impressões muito diversas da época do seu lançamento. O filme fala sobre o sujeito mais excêntrico a pisar em Hollywood, o milionário Howard Hughes (1905-1976), que herdou a fortuna que seu pai fez com o petróleo do Texas. Hughes fundou um estúdio, fez dois filmes, namorou Katherina Hepburn e Ava Garden, inventou um sutiã, criou a companhia aérea que acabou com o monopólio da Pan Am e, de quebra, desenhou pelo menos dois aviões e dezenas de brinquedinhos para a CIA.

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            Hughes era uma pessoa bem reclusa e passou os últimos anos de sua vida sem controle para o seu transtorno obsessivo compulsivo, armazenando a própria urina e se alimentando apenas de leite, laxantes e codeína. Sua excentricidade é bem dosada em O Aviador, Scorsese opta por se concentrar nos anos de sua formação e sua chegada a Hollywood, seu desapego ao dinheiro, o amor pela aviação e pelas mulheres.

            Acho que Leonardo de Caprio convence e definitivamente esse é um dos seus melhores filmes. Embora sua voz fina, sua cara de menino e sua pose de ex rei do mundo do Titanic não me agradem muito. O que gosto no filme é a boa ambientação de época, a realidade com que Scorsese mostra o personagem, procurando se centrar fora do mundo dos tabloides. O resultado é quase metalinguístico, com a exposição dos meandros da relação de Hughes com a indústria do cinema e da aviação mostrando do que o dinheiro é capaz.

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