A Magia do Cinema

CHATÔ: UM FILME PARA ENTENDER O BRASIL

 

    Chatô- O rei do Brasil (2015), é um filme sobre um insólito personagem da cena nacional, para quem tem menos de 30 anos ou não gosta de biografias talvez não saiba quem foi Assis Chateaubriand (1892-1968), magnata da mídia nacional, dono de jornais, cadeia de rádio e da primeira emissora de TV do Brasil. Chatô como era conhecido dominou a vida pública brasileira, em aspectos políticos, culturais, comportamentais, entre as décadas de 1930 e 1960. O conheci na biografia de Fernando Morais “Chatô o Rei do Brasil” que deu origem ao filme.

    A produção de Guilherme Fontes levou 20 anos para ganhar as telas do cinema e foi alvo de muitas denúncias de corrupção sobre a captação de recursos públicos. Chatô- O rei do Brasil é um filme meio épico e megalomaníaco como era seu personagem. Eu particularmente gostei do filme porque não é uma biografia realista, mas artística, livre, fantasiosa, sem ordem cronológica, mostrando acontecimentos de sua vida que aos poucos vai fazendo sentido.

    O tom é meio quixotesco, meio tropical e traz as famosas características do personagem tratadas em sua biografia como uma pessoa: extremamente amoroso, extremamente violento; irracional, extremamente ligado ao dinheiro e o poder. Marco Ricca está em seu maior papel, ao lado de Paulo Betti, Andrea Beltrão e Leandra Leal. A trajetória de Chatô é montada como um musical onde ele é julgado por fatos de sua vida (esse julgamento é fruto do delírio da trombose que o paralisou).

    O teatro da vida de Chatô nunca foi tão atual, e me lembra o grande circo que é a vida nacional no Brasil. A adaptação convence e funciona muito bem, é uma elegia montada numa farsa teatral sobre um animador, um coronel nordestino, um exímio comunicador, um mafioso amador, um brasileiro que com avanços, brilhos e retrocessos representa todos nós.

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